Balancei a cabeça. — Cada uma que me aparece, isso é o que dá, dar asa a cobra. Tá no lucro, que eu tô mantendo viva. Joguei o papel do salgado no lixo. Terminei a coca. E voltei pro meu trampo. Porque no fim das contas, o morro não para. E alguém tem que manter tudo funcionando. Eu voltei pra boca já com a cabeça cheia daquele dia maluco. Subi a viela devagar, cumprimentando um ou outro pelo caminho. Quando cheguei lá em cima, a galera já tava naquele movimento de troca de plantão. Uns terminando o turno do dia. Outros chegando pra segurar a noite. Encostei no muro e chamei os moleques. — Cola aqui. Eles chegaram perto. — Quem tava no dia? Um deles levantou a mão. — Eu, chefe, e o Dudu. Assenti. — Suave. Passei o olho em tudo. Arma no lugar. Movimento controlado. Nada

