Coringa Narrando Depois que a gente terminou de comer, a Camila levantou pra buscar a sobremesa, toda solícita, como se já tivesse tudo na cabeça, cada passo da casa. Minha mãe acompanhou ela com o olhar, e sorriu. — Essa aí. — ela disse, apontando de leve com a cabeça — é meus pés e minhas mãos. Olhei pra cozinha, vendo a Camila se movimentando. — É ela que cuida de mim. — minha mãe continuou — cuida da casa, de tudo. Senti um respeito enorme. De verdade. — E o Sandro ainda mora com a senhora? — perguntei. Meu irmão respondeu antes dela. — Tô sim, tive que alugar minha casa e voltar pra cá. Ele coçou a nuca, meio sem graça. — Pra Camila poder ficar com a mãe durante o dia, não dava pra deixar ela sozinha. Franzi o cenho. — Por causa da idade, né? Minha mãe suspirou. Aquel

