Letícia Narrando Eu quase fui. Quase atravessei aquele portão, entrei no carro dele e fui dormir na casa do Alexandre como se o mundo não existisse. Mas me segurei. Eu sei que quando eu quero, eu tenho um autocontrole enorme. E essa noite, eu precisei lembrar disso. Ele estava encostado no portão, me olhando daquele jeito sério, mas com os olhos cheios de cuidado. — Tem certeza que não quer ir comigo? — ele perguntou mais uma vez. Eu respirei fundo. — Tenho. Ele assentiu devagar. — Eu respeito. Mas não se afastou. Eu me aproximei e o abracei. Um abraço apertado, daqueles que fazem a gente esquecer por alguns segundos todo o resto. Senti o cheiro dele, a mão firme nas minhas costas, o calor do corpo colado no meu. — Eu queria, mas tenho que dormir. — confessei baixinho. Ele ri

