A mansão Lucchesi estava mergulhada num silêncio opressor. Não era o silêncio do descanso ou da tranquilidade — era o silêncio que antecede a tempestade, o tipo que aperta o peito e grita sem som. As luzes estavam baixas, as sombras dançavam nas paredes e, no meio daquele cenário gélido, Lis se sentia menor do que nunca. Não por fraqueza, mas por saturação. Cansada de lutar. Cansada de sangrar sem que ninguém visse. Ela havia acabado de sair do quarto de Aurora. A menina dormia após uma crise febril intensa, e os médicos atribuíam tudo ao estresse. Mas Lis sabia. Sabia que sua filha sentia a guerra ao redor, que respirava a tensão entre ela e Dante como quem inala veneno. Crianças sentem, mesmo quando não entendem. E Aurora sentia demais. No corredor, os ecos da última discussão ainda pa

