O grito veio antes do som. Era madrugada, e a mansão estava mergulhada em um silêncio quase sobrenatural quando o berro estridente rasgou o corredor do segundo andar. Lis acordou com o coração em disparada, o suor frio escorrendo pelas têmporas antes mesmo de abrir os olhos. Ela sabia. Sentia. Era sua filha. Nem pensou. Descalça, ainda de camisola, saiu correndo pelo corredor iluminado apenas pela luz do abajur da parede. Ao dobrar a curva em direção ao quarto da criança, quase trombou com a babá, que vinha em sentido contrário, pálida, com o walkie-talkie tremendo nas mãos. — Ela está tendo outro episódio! Não nos deixa tocar! — gritou a mulher, ofegante. — Chamamos o médico, mas ela não para, não para… Lis não respondeu. Passou reto, empurrando a porta do quarto sem pedir licença, i

