Lis acordou com o som do relógio batendo sete vezes, mas não foi o toque que a despertou. Era o silêncio. Um silêncio que gritava. Aquela casa, ainda que luxuosa, sufocava. Os corredores revestidos de mármore, as molduras douradas, os tapetes orientais... Tudo parecia mascarar a verdade: ali moravam segredos. E dor. Ela se levantou devagar, ainda desorientada. Sonhara com a filha. Nos braços. Rindo. Chamando-a de “mamãe” com a espontaneidade que só as crianças sabiam ter. Mas, como sempre, o sonho havia se quebrado ao meio. Dante surgia. Puxava a menina e a afastava. E Lis acordava com um grito preso na garganta. Vestiu um moletom grosso e desceu para a cozinha. Estava vazia. Nem mesmo os empregados. Provavelmente instruídos a deixá-la sozinha após a última discussão. Desde que a pequ

