Capítulo um - Safira
Com toda a sinceridade, eu esperava que a minha vida fosse voltar ao normal, mas as coisas não funcionam assim. Depois que eu descobri a traição de Henry, ficamos cinco meses separados, então eu decidi dar outra chance para ele, para poder me sentir melhor, para tudo voltar a ser como era antes, mas eu simplesmente não consigo. Minha consciência não tem a paz que tinha antes.
Eu acordo e convenço a mim mesma todos os dias que tudo vai ficar bem, que amo o Henry para superar tudo, só que também sinto que as coisas estão longe de estar bem. Mas eu perdoei e Henry realmente está arrependido, se não estiver, bom, problema dele, mas depois de tudo o que ele fez para tentar me reconquistar, não restam dúvidas.
Minha mãe me disse que nem sempre traição significa o fim de um relacionamento. Eu estava devastada e quero muito voltar a me sentir como antes. Além disso, ele me traiu uma única vez e nessa vez, ele conseguiu engravidar a amante. Mas ainda é difícil de superar.
Henry me ajuda com a minha mala e sorrio para ele. Parece que não percebeu que tudo já passou, eu já perdoei. Ele insiste em me agradar de todas as formas. Me lembro do motivo que me fez me apaixonar, mas não é tão emocionante como eu me lembrava.
— Obrigada, Henry! — Digo.
Ele olha para mim, seus olhos azuis um pouco triste porque desde que voltamos a estar juntos, eu não o chamo de amor. Mas ele entende que não pode consertar tudo de uma vez. Algumas coisas vão ser consertadas com o tempo.
— Eu vou ter muitas saudades de você. — Dá o seu sorriso charmoso.
Henry é lindo e isso sempre me deixou insegura quando a gente começou a namorar. Ele é um homem que dá gosto de ver com seus um metro e noventa, olhos azuis, lábios carnudos e incrivelmente lindos, um corpo musculoso sem exagero, com biceps invejáveis, tanquinho, pernas definidas, até sua voz muito grave é sexy. Eu tive que lidar com a ideia de várias mulheres morrendo por ele, principalmente porque ele era um homem responsável, com condição financeira estável, de boa família, eu parecia a mancha na nossa relação. Mas depois ele me pediu em casamento e eu passei a ter mais confiança em mim e nele também. Coloquei na minha cabeça que ninguém poderia tirar ele de mim. Decidimos que íamos comprar a nossa casa e marcar a data do casamento.
E depois veio a traição. Aquilo me quebrou tanto, mas tanto que eu me pergunto de onde eu tirei forças para perdoar o que ele fez. Talvez ele nunca mais faça algo assim. A gente ainda tem a chance de ser muito felizes.
— Eu também vou ter saudades.
Henry toca o meu rosto e se inclina para me beijar. Eu não o afasto porque parece que estamos bem. Nós continuamos com o noivado, mas estamos indo com calma depois do que aconteceu. Estamos superando isso, mas de um jeito diferente, porque as coisas entre nós estão diferentes.
Terminámos o beijo e nos abraçamos. — Eu te amo. Liga para mim quando chegar.
— Eu vou ligar. — É tudo que eu posso dizer.
E ele beija o anel de noivado no meu dedo. — Então, nos vemos daqui a uma semana.
— Claro. E não me esqueça de mandar noticias sobre o Reynold. — Digo. Não vou mentir que é fácil suportar a ideia de saber que ele tem um filho de um mês de idade. Nem que ele tem que visitar Savannah todas as semanas, mas é assim que as coisas funcionam. Como sua futura esposa, eu tenho que estar do seu lado. Mas ainda tenho medo que ele faça isso de novo.
— Está bem. — Ele suspira. — Safira, quando você voltar, por favor, vamos conversar. Sobre a gente. Nós voltamos há dois meses, mas eu ainda tenho saudades de você. Eu não quero te perder.
Aperto a sua mão. — A gente vai conversar.
— Safira! — Oiço Esmeralda me chamando.
— Adeus! — Ele me dá um último beijo.
Seguro na minha mala e vou me encontrar com a minha mãe e minhas irmãs. Olho para trás, onde Henry continua no mesmo lugar e aceno para ele. Será que é errado eu me sentir feliz por estar longe dele por pelo menos uma semana? Ainda tenho que pensar em algumas coisas, mas eu sou uma mulher decidida. Eu vou casar com ele.
Esmeralda olha para mim. — Não podemos perder o nosso voo.
— Não acredito que vamos na primeira classe. — Rubí dá pulinhos. — Peter é o melhor cunhado do mundo.
— Vamos logo, meninas! — Mamãe empurra Jade que está distraída no celular.
— A senhora vai continuar a trabalhar na mansão depois que Esmeralda casar? — Pergunto.
— Porquê não? Eu gosto de trabalhar lá.
— Mas seria muito estranho. — Jade comenta. — Principalmente porque Esmeralda vai morar lá também.
— Eu ainda estou pensando nisso. O importante agora não é o meu emprego, mas sim o casamento.
Esmeralda ri. — Tem razão!
Vamos para a sala de embarque, e pelos vistos, nós entramos antes dos passageiros da classe económica. É tão emocionante. Eu nunca viajei de avião, nenhuma de nós, na verdade, e a nossa primeira vez é em primeira classe.
Tenho que aproveitar muito bem essa semana longe do Henry. Não é que eu não quero estar longe dele, mas acho que preciso de umas férias de tudo isso. Preciso relaxar e não pensar nesse relacionamento complicado.
A primeira classe é incrível. Temos TV, bebidas de todos os tipos, comidas deliciosas, conforto, toalhas quentes parece até mentira. Eu sento com Jade, mas passo quase toda a viagem dormindo.
Quando acordo, já estamos em Las vegas. Encontramos Peter nos esperando no aeroporto com um grande papel com os nossos nomes. Esmeralda praticamente salta para cima dele quando o vê e com isso, ambos esquecem completamente da nossa existência. Esse é o encanto de um relacionamento.
Eles se beijam apaixonadamente na nossa frente. Todos nós ficamos desconfortáveis, menos a Rubí porque ela é apaixonada pelo amor. Eu também costumava ser antes de ser traída. Acontece que já não vejo as coisas como antes. Tudo mudou, eu vejo as coisas de uma forma diferente, de um jeito mais real.
— Oi, Peter! — Minha mãe interrompe o beijo e também abraça o seu futuro genro.
Jade se aproxima de mim. — Ainda bem que Nicholas não está aqui.
Reviro os olhos e olho para ela. — Você gostaria que estivesse?
Ela ri. — Não. Apesar de eu achar ele muito sexy, não, eu não gostaria que ele estivesse aqui.
Rubí olha para ela. — Eu acho que gostaria sim.
— Meninas! — Mamãe nos chama.
Abraçamos Peter e esperamos ele nos apresentar o motorista que vai nos levar, enquanto ele explica também que Esmeralda vai com ele. Tenho a certeza que vão sair por aí, talvez conhecer a cidade.
Nós nem reclamamos e seguimos o motorista de quarenta e muitos anos. Sofia senta na frente, e nós as três sentamos no banco de trás. Ficamos admirando o carro, a paisagem, vendo vários pontos turísticos e tirando fotos. Estaria mais entusiasmada se Henry estivesse aqui. Mas porquê? O nosso relacionamento não está como antes.
Antes a gente falava sobre tudo, eu me sentia bem com ele. Nossa i********e estava no topo. Saíamos todas as noites, fazíamos amor o tempo todo, fazíamos planos para o futuro e era tudo tão mágico. Eu até me lembro dele dizendo que queria ter filhos comigo, mas agora ele tem Reynold, mas não significa que não vamos ter outros. A nossa linda história de amor não pode ter terminado assim.
— Você está bem? — Jade pergunta.
— Sim. Você não está nervosa por passar uma semana com Nicholas? — Pergunto para mudar de assunto.
— Porquê eu estaria nervosa? Ele é um grosso. Com sorte, eu não enveneno o chá dele.
Rubí ri. — Eu acho que ele é adorável.
— Completamente adorável. — Mamãe responde.
— É tudo mentira.
Olho para a grande mansão se aproximando de nós. É tão linda e chique. Não acredito que vamos ficar aqui, não como empregadas. Parece mentira que as coisas tenham chegado a esse nível.
Todas nós ficamos admirando, quando o motorista, com nome alemão que não conseguimos pronunciar, abre a porta para a minha mãe e depois para nós. Fico boquiaberta com a beleza desse lugar. É uma mansão bonita e está isolada. Acho que é o tipo de casa que eu compraria se fosse rica.
Os irmãos Tales saem da mansão e vêm nos receber. Renner abraça Rubí e faz ela girar, depois a beija na nossa frente. Só falta Jade e Nicholas se beijarem para me deixarem ainda mais desconfortável. É errado eu me sentir assim, mas o que eu posso fazer?
Nicholas abraça a minha mãe, depois olha para Jade com desdém, eu acho. Se eu fosse ela, já estaria com o coração quebrado. E tem o Harris, que também abraça a minha mãe e pára seus olhos azuis em mim. Desvio o olhar imediatamente.
— Sejam bem vindas! Espero que a viagem tenha sido agradável. — Nicholas ajuda a minha mãe com as malas e leva ela para dentro enquanto conversam.
Jade revira os olhos e segue eles com as malas, reclamando. Renner leva as malas de Rubí e olha para o irmão com um sorriso.
— Harris, por favor, ajuda a Safira.
Volto a olhar para ele. Harris vem até mim com o seu perfume matador e seu cotovelo toca a minha barriga quando ele se abaixa para pegar as minhas malas. Quando ele fica em pé novamente, olhando para mim, eu desvio o olhar.
— Seja bem vinda, Safira. Venha comigo! — Ele sorri.
Sigo ele a uma distância considerável, mas ele não pára de olhar para cima do ombro, e sempre que faz isso, eu finjo que estou olhando para outro lugar.
Entramos na mansão e só o hall de entrada me faz suspirar. Quando eu paro, Harris também pára e olha para mim com seus olhos azuis oceano. Mais uma vez, procuro qualquer outra coisa para olhar. Olho para um grande lustre.
— Você quer ficar mais um pouco? Eu posso levar as malas no seu quarto, depois venho buscar você. — Seu sotaque me arrepia, e encontro seus olhos novamente.
— Não, não. Eu vou com você.
Voltamos a caminhar e passamos pela grande sala, subimos uma escada em aspiral e encontramos dois grandes corredores em direções opostas. Harris entra no corredor à direita, e eu o sigo.
— Esse é o quarto da Sofia. — Aponta para a primeira porta. — Esse é o da Esmeralda. — Aponta para a porta a seguir enquanto passamos por elas. — Esse é o seu quarto. — Parámos na terceira porta. — Depois está o da Rubí e no fim o da Jade. Nicholas distribuiu os quartos desse jeito.
— Entendo.
Harris abre a porta e entra com as malas. E eu quase tenho um ataque com o tamanho da cama. Eu não sou tão pequena, mas essa cama cabe a minha família inteira. E o armário gigante, as janelas gigantes, tudo bastante exagerado. Olho para o espelho enorme no outro canto, um sofá branco do outro canto, uma TV e uma penteadeira dos meus sonhos.
Vou até a janela e vejo uma piscina infinity que desagua numa piscina normal. É uma vista incrível. Sem contar com o campo mais para a frente.
— Gostou do quarto? — Harris pergunta. Mais uma vez, fico arrepiada com o seu sotaque.
Viro para ele e sorrio. — É muito lindo. Eu amei. Obrigada por me ajudar com as malas.
Me aproximo e recebo as malas, mas nossas mãos se tocam. — De nada. Qualquer coisa é só chamar. Estaremos a vossa disposição.
Sem querer, encontro seus olhos azuis novamente e sorrio. — Está bem.
Ele tira suas mãos debaixo das minhas e sai do quarto. Nem tinha percebido que estava tocando suas mãos por tanto tempo. Mas o que eu estou fazendo?
Deito na cama gigante e é mais fofa e confortável do que eu imaginava. Talvez um dia, eu e Henry compremos uma igual. Falando nisso, eu terei uma entrevista de emprego quando voltar. Não quero que Henry faça tudo sozinho. Mesmo que ele insista, e eu sei que se sente m*l pelo que aconteceu. O importante é que tudo está bem. Não voltou ao normal, mas está bem.
Depois de um banho, eu decido sair do quarto. Uso uma blusa branca e uma bermuda xadrez. Vou para o lugar que tenho a certeza que a minha mãe deve estar, e encontro ela com Rubí e Renner. Sento na ilha da cozinha e observo eles fazendo um bolo como se fossem profissionais.
— Onde estão seus pais, Renner? — Pergunto.
— Eles chegam daqui a dois dias. Meu pai tinha um assunto importante para resolver. — Ele responde sem olhar para mim. — Mas Mónica está tratando de tudo que tem a ver com o casamento. Ela está com a Esmeralda e o Peter na sala.
— Você é ótimo com informações. — Rubí beija o seu rosto.
— Espera! Isso significa que Jade está com Nicholas? — Pergunto.
Renner olha para mim de um jeito estranho. — Sim. Na outra sala. Devem estar brigando.
Reviro os olhos e saio da cozinha. Procuro a outra sala e encontro com facilidade. Mas eu não encontro Jade ou Nicholas, mas sim o Harris jogando vídeo game.
Quero sair sem ele ver, mas...
— Quer jogar? — Ele pergunta. Viro e noto que está olhando para minha roupa.
— Eu não sou muito boa nessas coisas. E estou procurando a Jade.
— Eu vi ela na piscina com o Nicholas.
E ouvimos gritos na cozinha. Harris e eu vamos correndo para lá e vemos Jade completamente molhada. Sua calça e sua jaqueta completamente encharcadas. E eram seus ténis preferidos.
— O que aconteceu? — Renner ri.
— Nicholas me empurrou na piscina!
Tento não rir. — O quê?
Nicholas dá de ombros. — Ela estava na beira. Eu só estiquei os braços enquanto passava por lá.
— Nicholas, por favor! — Minha mãe acena em negação.
— Eu tenho que terminar o meu livro. Bom apetite! — Ele sai da cozinha.
— Eu vou adorar essa semana. — Renner ri.
Jade empurra ele e sai da cozinha furiosa. Eu também rio. Na verdade, todos caímos na gargalhada, quando Jade sai.
— Eu vou falar com Nicholas. — Harris diz. Não sei porquê, mas antes de sair da cozinha, ele olha para mim com seus olhos azuis oceano brilhando.