Acordei antes do despertador tocar. Não foi ansiedade exatamente. Foi como se o corpo tivesse entendido antes da cabeça que algo definitivo estava prestes a acontecer. Abri os olhos devagar, ainda meio perdido, e por alguns segundos achei que era um dia comum. A luz entrando pela fresta da cortina, o silêncio confortável da casa, o peso bom do corpo na cama. Até virar o rosto. Manuela estava ali. Dormindo de lado, a respiração calma, os cílios longos projetando uma sombra suave na pele. O cabelo espalhado pelo travesseiro como se tivesse sido deixado ali de propósito. Hoje. Hoje eu ia casar com aquela mulher. Senti o peito apertar de um jeito estranho, misto de paz e vertigem. Não era nervosismo. Era consciência. Aquela sensação rara de quando a vida para de improvisar e decide. Lev

