Acordei antes dela. Não por alarme. Não por hábito. Acordei porque o silêncio da casa estava diferente. A mansão sempre teve um silêncio elegante, quase confortável. Mas naquela manhã… era um silêncio tenso. Como se tudo estivesse segurando a respiração junto com a gente. Virei o rosto devagar e encontrei Manuela deitada de lado, os olhos abertos, encarando o teto. — Você também não dormiu, né? — murmurei. Ela virou o rosto para mim e sorriu de leve. — Dormi… — respondeu. — Só acordei umas cinco vezes pra conferir se ainda era real. Passei a mão pelo rosto dela, afastando uma mecha de cabelo. — Ainda é — falei. — E amanhã também vai ser. Ela fechou os olhos por um instante, respirou fundo. — Falta um dia — disse, quase num sussurro. — Um dia. Ela se aproximou mais, encostando

