A ansiedade da Manuela não chegou de uma vez. Ela foi crescendo devagar, como uma maré que você não percebe até estar com a água no peito. No começo, era só empolgação. Depois virou planejamento. Em seguida, controle. E, quando me dei conta, tudo dentro de casa girava em torno de uma única coisa: a chegada da Sophia. Acordávamos falando disso. Dormíamos falando disso. Entre uma coisa e outra, Manuela encontrava algum detalhe novo que precisava ser revisto, ajustado, melhorado. — Amor, você acha melhor trocar o sofá da sala de leitura? — ela perguntou numa terça-feira à noite, enquanto eu tentava terminar um relatório no notebook. — O sofá é novo — respondi, sem tirar os olhos da tela. — Mas ele é mais firme… a Sophia gosta de sofá mais fundo. Fechei o notebook devagar. — Manuela… —

