Acordei antes do despertador naquele dia. Não porque estivesse descansado — longe disso — mas porque a cabeça não desligou em nenhum momento durante a noite. Eu tinha dormido pouco, m*l, virando de um lado pro outro, sentindo aquele peso estranho no peito que não era exatamente culpa, nem raiva. Era um cansaço emocional. Daqueles que não somem com sono. Fiquei alguns minutos deitado, olhando para o teto do quarto, ouvindo apenas a respiração calma da Manuela ao meu lado. Ela dormia de lado, voltada para mim, o rosto relaxado, os cabelos espalhados pelo travesseiro. Havia algo nela, mesmo assim, tranquila, que sempre me puxava de volta para o centro. Respirei fundo. Eu amava aquela mulher. E precisava lembrar disso com mais frequência, principalmente nos dias em que tudo parecia confuso

