O dia amanheceu diferente. Não foi nada concreto, nada que desse pra apontar e dizer “é isso”. Foi mais uma sensação. Um peso leve no ar. Uma antecipação que não vinha com alegria nem com medo — vinha com as duas coisas misturadas. Abri os olhos antes do despertador, de novo. O teto parecia mais próximo, o quarto mais silencioso. Manuela dormia profundamente ao meu lado, abraçada ao travesseiro, como se estivesse guardando energia para o dia que viria. E fazia sentido. Hoje era o dia. Sophia chegava hoje. Fiquei alguns minutos parado, só respirando, tentando entender o que estava acontecendo dentro de mim. Porque a verdade — a mais crua — era simples e desconfortável: eu queria vê-la. Não como desejo. Não como algo errado. Mas como uma curiosidade viva demais. Um ímã silencioso que eu

