A decisão foi simples. O impacto dela, nem tanto. — Então… — Manuela disse, encostada no batente da porta do meu apartamento, olhando em volta com aquele olhar clínico de quem trabalha com espaço e estética — você realmente mora aqui. — Qual o problema? — provoquei. — Eu moro muito bem aqui. Ela riu, cruzando os braços. — Mora. Mas mora sozinho há muito tempo. Aquilo não foi uma crítica. Foi uma constatação. E eu sabia disso. Meu apartamento sempre foi funcional. Organizado. Silencioso. Tudo no lugar certo, nada fora do eixo. Era o reflexo exato da minha vida depois que fiquei viúvo: prática, controlada, sem excessos emocionais espalhados pelos cantos. Manuela caminhou lentamente pela sala, tocando as coisas como quem conhece alguém novo. Pegou uma moldura, observou uma foto antig

