Aquela noite começou como tantas outras desde que chegamos ao resort: luzes baixas, música elegante, risadas medidas e pessoas que sabiam exatamente como ocupar um espaço sem parecer excessivas. Manuela estava especialmente bonita — não pela roupa, mas pela leveza. Ela ria com facilidade, gesticulava com naturalidade, parecia completamente integrada àquele grupo de mulheres que orbitavam os parceiros de negócios, trocando comentários triviais, histórias repetidas, confidências superficiais. Observei de longe por alguns minutos. Gostava de vê-la assim. À vontade. Segura. Mas, à medida que a noite avançava, senti algo diferente se instalar em mim. Não era ciúme. Era cansaço. Um ruído mental que pedia silêncio. Afastei-me discretamente. O salão principal se abria para uma área externa mai

