A gente ficou ali, de mãos dadas, no meio do corredor da empresa dela, como se o mundo tivesse diminuído de volume de repente. — Você tem ideia do quanto isso soa tentador? — Manuela disse, com um sorriso que misturava surpresa e alívio. — Eu espero que muito. Ela riu, aquele riso leve que sempre me desmontava. — Vamos pra minha sala — falou. — Se ficarmos aqui, alguém vai achar que estamos planejando uma revolução corporativa. Entramos na sala dela. Manuela fechou a porta, tirou os óculos e os colocou sobre a mesa. Aquilo era um gesto pequeno, mas íntimo. Sempre que ela tirava os óculos, significava que o foco não era mais trabalho. — Tá — disse, cruzando os braços. — Me conta essa ideia direito. Me sentei de frente pra ela. — Nada mirabolante. Eu só quero… a gente. Sem horários,

