O dia amanheceu calmo demais para ser ignorado. O sol entrava devagar pelo quarto, desenhando faixas douradas sobre o lençol branco. Manuela ainda dormia quando acordei, virada de lado, o cabelo espalhado pelo travesseiro, a respiração tranquila. Fiquei alguns minutos apenas observando, sem tocar, como se aquele momento precisasse ser respeitado. É isso, pensei. É aqui que eu pertenço. Levantei com cuidado, caminhei até a varanda e fiquei ali, olhando o mar. O barulho distante das ondas misturado com o canto de alguns pássaros criava uma espécie de trilha sonora perfeita demais para ser real. Quando voltei para o quarto, Manuela já estava sentada na cama, se espreguiçando. — Bom dia — disse, com a voz rouca. — Bom dia, esposa. Ela sorriu com aquele orgulho silencioso que tinha semp

