Foi quando ouvi o clique da maçaneta. A porta abriu devagar, e a luz do corredor iluminou o meu inferno particular. Marta apareceu no batente. Ela estava impecável, como sempre, as joias brilhando, o rosto sereno de quem vive numa bolha de privilégios. Quando os olhos dela varreram o caos o uísque na parede, o espelho em mil pedaços e eu, o seu "filho de ouro", jogado no chão como um trapo ela soltou um suspiro sufocado que foi música para os meus ouvidos. — Breno! Meu Deus, Breno! — O grito dela foi agudo, carregado do desespero maternal que eu sabia tocar como um instrumento bem afinado. Ela veio correndo, os saltos estalando nos cacos de vidro, nem se importando em estragar os sapatos de grife. Ela se ajoelhou ao meu lado, as mãos finas e trêmulas alcançando o meu rosto. Eu fiz questã

