Olhei para a Vanessa jogada no chão, as pernas bambas, tentando manusear aquele celular como se fosse uma tábua de salvação mágica, e senti uma vontade quase incontrolável de gargalhar. A esperança dela era patética, quase ofensiva à minha inteligência. Ela achava mesmo que um bando de fardados do asfalto, que não conseguem nem subir o morro sem pedir licença, ia chegar a tempo de me impedir? No meu jogo? No meu tabuleiro, onde eu movo as peças? Dei dois passos rápidos e desferi um chute certeiro, de bico, na mão dela. O celular voou pelo ar, descrevendo uma parábola, e atingiu a parede oposta, estilhaçando a tela em mil cristais negros. Antes que ela pudesse soltar o próximo grito, eu a segurei pelos cabelos com uma ignorância bruta, enrolando os fios nos meus dedos e forçando-a a olhar

