cap 02 eu quero aquela morena

1752 Words
Jade. . . . Hoje completaria exatamente dez anos que os meus pais faleceram. Era um dia triste, um dia que acabava comigo em todos os sentidos. Se todos os dias eu já sinto falta, hoje então meu peito aperta de uma forma absurda. Tenho um ritual de todo ano ir visitar eles no cemitério, depois volto para casa, fico quieta, no meu canto. Não sinto vontade de fazer mais nada depois disso! E o único momento que sinto eles comigo novamente. Vesti uma calça jeans de lavagem clara e uma blusa preta de alcinha, calcei meu all star branco e resolvi dessa única vez ir de cabelos soltos. Já vai, filha?! - Rosa pergunta. Eu sabia que aquela data era muito importante para Rosa também, ela querendo ou não, era prima da minha mãe. No começo mamãe insistiu para ela não trabalhar aqui mas a Rosa estava precisando tanto que minha mãe acabou cedendo para ela ser minha babá. Nós não tínhamos quase ninguém da família além dos meus tios que moravam longe, minha mãe viu que ela era a pessoa de confiança e a pôs no papel para cuidar de mim. - Vou sim, - Sussurro e saio de casa em passos largos. *** -É tão difícil ficar sem vocês. - Suspiro. - Eu queria você aqui mamãe, para me ajudar nas minhas decepções, para me dar broncas e para cantar todaS as noites que eu não conseguisse dormir, assim como fazia antes. E você papai, para as brincadeiras sem limite, do seu churrasco delicioso e das suas risadas histéricas fora de hora. - Fungo. - Eu não tenho ninguém nessa vida, Somente a Rosa, eu não sei que rumo tomar, me ajudem, por favor. E foi alí que eu passei a minha tarde inteira, matando a saudade das pessoas que eu mais amo nesse mundo. Do meu porto seguro, meu refúgio... E algo inexplicável mas visita-los me faz um bem absurdo, eu me sinto extremamente protegida e amada. É surreal! . . . - Dessa vez não tem discussão. - Malu disse dando língua. - Não tem mesmo não. - Júlia concorda cruza os braços. - Vocês são muito chatas. - Digo entediada. Elas duas estão a dias tentando me arrastar para o baile. Tem sido todo o dia mesma coisa, elas dizem que SOu careta e medroSa mas não entra na cabeça delas que eu simplismente não quero por livre e espontânea vontade. - Tô indo, espero que se conformem que eu não voue ponto final. - VamoS ver então. - Disseram em uníssono. Cheguei em casae logo depois do almoço, caí na cama, estava morta de cansaço, tive três tempos seguidos de fisica, não tem quem aguente. Tenho estudado tanto, terceiro ano ficava cada dia mais difícil. *** - Mais cinco minutos, Rosa. - Murmuro, me virando para o canto. - Você achou mesmo que iríamos deixar de vir? - Arregalo os olhos e me viro nOvamente. Malu e Júlia estavam alí, bem na minha frente. - Já separei sua roupa, vamos te deixar linda. - Júlia diz enrolando a ponta do seu cabelo. - Eu não vou, será que vocês não entendem? Que saco - Grito irritada. - Acho esse medo uma bobagem mas não vou te obrigar - Júlia diz. - Esquece Jůlia, essa daí tem medo até do ar que respira. - Malu diz e sai rebolando. - Espera. - Grito. - Eu vou e você vai ver quem é que tem med0. - Arqueio minha sobrancelha retrucando a sua provocação. - Ui, assim que eu gosto. - Malu dá um tapa de leve na minha b***a. Fui olhar meu guarda roupa e não tinha nada apropriado para um baile. Lá só existia moletons, blusas de manga, calça jeans e alguns shorts que eu usava em casa. - Eu não tenho roupa. - Faço bico e cruzo 0s braçoS. Malu solta um sorrisinho. - Nós pensamos em tudo meu amor. - Júlia diz e me dá uma sacola onde continha um vestido branco colado com detalhes em dourado, era lindo e sofisticado, mas eu não me imaginava usando o meSmo. - Eu não vou usar, olhem o tamanho disso. - Bufei. - Experimenta ué. - Dou a língua e caminho até o banheiro. Vesti com dificuldade e me olhei no espelho. Confesso que ele é lindo e me deu curvas que eu nem sabia que existiam. Caminhei até o quarto envergonhada, as meninas arregalaram os olhos. - Não acredito. - Júlia grita. - Você está linda. - Me abraça. -Que orgulho. - Malu choraminga. - Eu não sei... Nunca fui acostumada a expor meu corpo assim, nunca gostei para falar a verdade, me sinto de calcinha e sutiã. - Sinto minha bochecha arder. - Ei..você está linda. - Levanta meu queixo. - Tu precisa de mais confiança, confia no seu taco mulher. - Diz me fazendo sorrir. Tomei uma ducha rápida, vesti um conjunto de lingerie vermelho e meu vestido, calcei uma sandália preta. Passei meu perfume 212, creme hidratante de frutas vermelhase um creme de mão de hortelă. Elas fizeram ondulações no meu cabelo e uma maquiagem leve, nada muito exagerado, até porque nã era a minha praia. - Vamos? - Malu disse assim que acabou de bater a foto. - Vamos. - Esfrego minhas mãos uma na outra, em sinal de nervoso. Me despedi de Rosa e saímos de casa, subindo o morro. O barulho de funk não enganava, Malu já dançava igual uma louca, eu não sabia onde enfiar minha cara de tanta vergonha. Andamnos mais uns cinco minutos e enfim chegamos. Eu estava com medo e com uma vontade louca de dar meia volta e ir embora. Minhas mãos estavam suando e minhas pernas bambas, eu estava muito nervOsa. Havia muitas pessoas de todos os ripos. De garotas que usavam short no útero até meninas bem comportadas. Havia muitos bandidos armados e bebendo, olhei para cima e pude ver o camarote com umas dez pessoas no máximo, todos bem arrumadose com mulheres no col0. Agarrei na Júlia que me guiou até o bar. Uma água. - Peço eo carinha ri cínico. - Um copão de vodka com energético, por favOr. - Malu diz e ele assente piscando para ela. - Jade, o Caio está te chamando no camarote. - Júlia diz e mordo as unhas. - Ah não, manda ele vir aqui. - Choramingo. - Para de ser boba menina, vai lá e arrasa porque hoje você pode. - Beija minha bochecha e sai dançando. Caminho em passos de tartaruga até o camarote. Subo as escadas degrau por degrau. Acabei dando de cara com o Caio. - Irmāzinha. - Ele me abraça. - Depois tu me apresenta a sua amiga. - Pisca fazendo me fazendo sorrir. Olho em volta e vejo o comandante, arregalei os olhose fingi que não vi.Vai que ele acha que to encarando demais e me mata, sei lá né. Quem é a princesa? - Um moreno alto - chega perguntando a Caio. - Jade. - Sorri timidamente apertando mão e o mesmo me puxa dando um beijo demorado na minha bochecha. - Dimenor. - Sorriu graciosamente. - Liga para o chefe não, ele costuma falar com ninguém. - Diz e assinto. Olho para GT e nunca tiha percebido, até que para o comandante da Rocinha ele era muito bonito, bem arrumado e tinha a postura que seu cargo deve ter. Vai ficar me secando, p***a?! - Pergunta e acab0 corando, desço as escadas igual um tomate. *** Cansei de ser a menina santa, que não curte a adolescência, eu mereço diversão. Passei a minha vida toda tentando andar em uma linha correta, ser a garota perfeita, mas nunca parei para pensar que a adolescência só se curte uma vez. Fico feliz que eu tenha percebido antes dela terminar. Estou a exatamente trinta minutos olhando pessoas se divertindo a minha volta, não é justo, eu preciso extravasar. - Me dê algo forte, aliás..O mais forte que tiver aí. - Pedi. - Assim que eu gosto, gatinha. - 0 barmern sorriu malicioso. Peguei aquele copo sem jeito, virei com tudo. Comecei a tossir desesperadamente e logo depois me acostumei como seugosto forte. A cada último gole, eu pedia mais m copo, confesso que fiquei muito alterada, bebi além do meu limite. Nossa, eu cansei sabe?! - abaixei a cabeça no balcão conversando com o carinha que já estava de saco cheio. - Não tenho ninguém comigo. Ouvi uma música envolvente tocar e enlouqueci. Caminhei até a muvuca e me envolvi completamente com a música.Sentia o meu corpo leve. Comecei a dançar totalmente fora de mim. Eu passeava as mnãos pelO meu próprio corpo sorrindo e descendo sensualmente ou atrapalhadamente pois eu não sei nem porque estou assim. Só sei que tem alguns guinomos dançando comigo, risos... Gabriel. . . Fui no baile tentar me distrair, os problemas com a boca estava f**a, eu precisava de uma válvula de escape. - Essa p***a ta f**a hoje. - Digo após passar 0 cigarro de maconha para o Dimenor. Faz um favor para mim. - Caio fala com um vapor. - Chama aquela morena alí. O cara assentiu e foi chamar a mina, alguns minutos depois o mesmo voltou Com a garota. - Irmāzinha. - Caio cumprimenta a morena fazendo eu revirar os olhos. Não tem essa de irmã sem ser de sangue não, tem que tacar o p*u em tudo, viadisse do c*****o. Senti o olhar da mina sobre mim. - Vai ficar me secando, p***a?! - Pergunto indignado. Suas bochechas avermelharam e eu pude ver o quanto ficou sem graça. - Envergonhou a garota. - Dimenor diz e dou o dedo do meio. Olho para pista e vejo a mina que estava aqui em cima dançando. Não era nada m*l, magrela gostosa. Oi Amorzinho. - Larissa chega beijando o meu rosto e logo em seguida eu limpo. - Saí daqui, chata para c*****o, eu te chamei aqui? Não, então vaza. - Ela bate o pé e sai rebolando. Fico enjuriado, essas putas acham que podem fazer o que querem na hora que querem, meu p*u p***a. -Vou mandar o papo. Manda aquela morena aparecer lá em casa agora. - Digo para Caio e o mesmo arregala os olhos negando. -Qual foi? Fica sussu, se não trouxer, eu vou pegar ela e vai ser muito pior, te garanto. - Pô chefe, mina responsa, minha amiga de infância, deixa ela em paz, tanta gente para tu comer! - Bufo. . .
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