Estou há cinco meses nesta alcateia, e Luan disse que ia pegar leve no treinamento, mas tenho certeza de que ele se diverte com o meu sofrimento. Mesmo assim, aprendi a lutar contra diferentes oponentes e agora consigo derrotar muitas pessoas na luta corpo a corpo, mas sei que, sem meus poderes, acabaria ferida.
"Está bom de treino," Luan diz calmamente, e, exausta, caio no chão depois de correr mais de três quilômetros.
"Por que está me fazendo correr se posso me teletransportar?" pergunto, minha voz cansada. Vai demorar para eu me recompor.
Luan explica pacientemente: "Quando você se teletransporta, demora a raciocinar sobre onde os inimigos estão, e isso pode te deixar vulnerável. Além disso, você precisa fortalecer as pernas, já que usa muito elas para nocautear." Meu corpo coça por causa da grama, e me dá vontade de tomar um banho.
"Onde fica a cachoeira mesmo?" pergunto, ainda perdida com os caminhos da floresta.
"Vou te deixar no caminho, só não se perca," Luan diz, começando a caminhar.
Me levanto rapidamente, pego minha mochila e corro atrás dele, decidida a não me perder. Depois de um bom tempo andando, finalmente chegamos à cachoeira cristalina. Não há ninguém por perto, o que é perfeito para tomar um banho sem roupa.
Luan me avisa: "Te encontro na alcateia, tome cuidado. Ainda tem lobos que te odeiam por aqui." E se vai embora.
Eu não me importo. Sei como me defender. Se algum lobo ousar me atacar, eu o mato sem pensar duas vezes. Depois de tanto tempo treinando, estou pronta para qualquer coisa. Não me arrependo de passar todo esse tempo aqui.
Abro a mochila, pego um sabonete e começo a me despir. Quando estou completamente nua, vou para debaixo da água fria da cachoeira. Sentir aquela água gelada em um dia quente é uma sensação incrível. Começo a me ensaboar, mas, ao abrir os olhos, congelo. Um lobo laranja, de aproximadamente um metro e meio de altura, com olhos dourados brilhantes, me observa. Ele é quase do meu tamanho.
Fico parada, esperando que ele vá embora. Ele não pode ter percebido que sou uma vampira. O cheiro não pode ter me traído, já que não tomo sangue humano há muito tempo, e a água está caindo sobre o meu corpo.
O lobo se senta na grama e continua me olhando, sem desviar os olhos. Será que ele é um pervertido?
"Vai embora, lobo safado!" grito, mas ele apenas uiva.
E, então, vejo o lobo se aproximar das minhas roupas e pegá-las com a boca. "Não, não pode fazer isso!" grito internamente. Esse lobo não pode me deixar nua aqui!
Corro atrás dele, sem pensar, e tento pegar as roupas de volta. Agarro meu vestido, mas ele não solta. Puxo com força, até que, finalmente, o vestido rasga em duas partes.
"Seu vira-lata pervertido! Olha o que você fez!" grito, furiosa, e ele apenas me observa, com uma expressão que parece estar achando graça da situação. Ele solta o resto das peças e se levanta, correndo para a floresta.
Estou tão irritada que começo a xingar ele de tudo quanto é nome.
Pego o que sobrou das minhas roupas e, irritada, penso que vou ter que voltar à alcateia de calcinha e sutiã. Juro que, se algum lobo tentar fazer graça, vou bater nele até pedir desculpas.
Quando estou quase chegando à alcateia, já é noite, e me sinto um pouco mais tranquila, pois provavelmente não haverá ninguém para me ver assim. Mas, ao chegar na entrada, vejo que há uma comemoração acontecendo. Fudeu.
Tento ser furtiva, me escondendo entre as casas. Enquanto faço isso, vejo Luan conversando com um homem ruivo, que parece ter uns trinta e poucos anos. Ele tem um corpo muito malhado, deve deixar as fêmeas todas molhadas só de pensar nele. Seus olhos azuis chamam bastante a atenção, e eu consigo ver eles daqui. Enquanto me escondo, vejo um manto secando. Pego ele e me cubro, tentando esconder o máximo possível.
Quando olho novamente para onde Luan está, o homem ruivo me vê. Seus olhos brilham em dourado, exatamente igual ao do lobo que tentou roubar minhas roupas.
O ruivo aponta para mim e Luan me chama. Aperto a faixa no manto, tentando cobrir bem o que resta. Não quero que ninguém saiba que estou quase nua.
"Eu preciso voltar para casa," falo, me aproximando um pouco dele.
Luan responde: "Antes, eu preciso te apresentar alguém. Esse é Hunter, o Supremo Alfa."
Olho para o ruivo e forço um sorriso. "É um prazer conhecê-lo, Supremo."
Hunter sorri, e sua expressão revela que ele está achando graça da situação. "Também é um prazer conhecer a vampira que meu velho amigo está treinando."
"Se me derem licença, preciso voltar e trocar de roupa," falo, começando a me virar.
Luan parece estranhar. "Estranho, Eva, que manto é esse?"
"Eu achei e decidi colocar. Meu vestido sumiu enquanto eu tomava banho," explico, forçando um sorriso. Vejo Hunter rir, mas é só para eu ver.
Luan parece um pouco desconfiado. "Pode ir."
Hunter, com um sorriso malicioso, pergunta: "Posso levar ela até lá? Quero muito conhecer a vampirinha."
"Claro, será um prazer," respondo, tentando manter o sorriso mais falso que consigo.
Caminho em direção à casa de Luan com o ruivo ao meu lado, contendo a raiva para não fazer uma besteira.
Hunter, com um sorriso m*****o, diz: "Está sentindo o friozinho da noite, sanguessuga?"
Eu, sem me conter, respondo: "Você é um completo i****a, eu não fiz nada para você."
Hunter não deixa barato. "Fez sim, chamou minha atenção."
Eu não o olho, mas deixo sair: "Eu nunca iria querer chamar a atenção de um vira-lata."
Ele se aproxima mais, e diz: "Olha o respeito. Com um comando seu, você está morta."
Eu, sem hesitar, retruco: "Tenho certeza de que Luan não será mais seu amigo se fizer isso. Matar a melhor aluna dele sem motivo forte provavelmente não tem perdão."
Hunter me coloca contra a parede, com um sorriso ameaçador. "Está se achando muito importante. Você é só uma sanguessuga que meu amigo teve pena de matar."
Sem pensar, dou um chute no pé dele e corro em direção à casa de Luan.
Entro na casa e corro para o quarto, fecho a porta e grito, colocando toda minha raiva nas palavras.
"SUPREMO FILHO DE UMA p**a! VAI SE ARREPENDER DE TUDO QUE ME FEZ!" Deixo sair toda minha raiva.