Abro meus olhos depois de ter certeza que minha energia está estabilizada, eu não gosto de hibernar, mas é preciso quando acabo me ferindo ou usando muito poder. Eu não costumo usar teletransporte, controle mental ou paralisia, porque isso quase não funciona em vampiros e porque simplesmente não gosto.
Eu consigo controlar vampiros por alguns segundos, não sou igual meu pai que domina melhor esse poder. Me pergunto se meus irmãos herdaram isso dele também. Todos sempre falaram que se eu tivesse nascido homem seria até mais forte que Vlad.
Eu sempre me senti horrível por parecer ser a decepção da família. Tudo que herdei da minha mãe foi o poder de ler pensamentos, só consigo fazer isso um minuto por dia. É pouco, mas é alguma coisa. Talvez, quando eu casar, consiga descobrir se meu marido está com uma amante por causa desse poder.
Me pergunto se minha irmãzinha que vai nascer irá puxar nossa mãe. Eu, infelizmente, não puxei nada físico dela; tenho a cor dos cabelos e os olhos do meu pai. Me pergunto como meu primo é. Acho que ouvi meu pai falando sobre ele uma vez, se bem me lembro o nome dele é Damon.
Vlad sempre dizia que eu ia adorar meu primo. Sou um pouco acostumada a chamar meu pai pelo nome, pois em frente às pessoas tenho que ser somente uma convidada no castelo. Eu ficava com raiva por não entender o motivo disso; pensava que ele tinha vergonha de ser meu pai, mas no final ele só queria me proteger.
Lembro de um homem de cabelos pretos bagunçados e olhos azul-marinho. Ele me salvou quando não consegui descer de uma árvore.
Eu estava no bosque do castelo, sempre amei escalar árvores, e naquele dia decidi subir a mais alta. Quando finalmente cheguei no topo, não consegui descer, fiquei com medo e comecei a chorar.
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D — Está tudo bem com você? — diz o moreno na parte de baixo, me olhando.
— Não consigo descer, estou com medo — falo chorando.
D — Se um dia quiser ser uma rainha, não poderá ter medo de fazer o que é preciso, Eva — diz calmo, com um sorriso.
— Mas e se eu cair? — pergunto, olhando para ele.
D — Prefere ficar aí em cima para sempre e morrer de fome? Se cair, eu prometo pegar você.
Com o pouco de coragem que tenho, começo a descer. Durante a descida, acabo escorregando; fecho meus olhos enquanto caio. Quando abro, percebo estar nos braços do moreno.
D — Sempre irei cuidar de você enquanto estiver por perto, minha pequena Eva — diz, com um sorriso que me tranquiliza.
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Estranho que nas minhas lembranças pareço conhecer esse D, provavelmente pode ser meu primo Damon.
Luan — Está no quarto o dia inteiro, já está melhor para ir embora? — pergunta simpático. Acho que ele quer se livrar de mim.
— Nem me deram comida — falo desapontada.
Luan — Eu até ia dar, até lembrar que sua comida é sangue. Você pode sair do quarto e caçar um cervo, sanguessuga — ele me irrita.
— É Eva, vira-lata! — falo brava, e ele ri.
Luan — Consegue se transformar em morcego?
— Claro que não, isso é lenda. Só colocamos o morcego como nosso símbolo porque somos parecidos — falo, brava.
Luan — Estou de folga hoje, quer fazer alguma pergunta? — diz, sentando em uma poltrona.
— Como é que um alfa fica de folga? — pergunto, sem entender.
Luan — Deixei meu beta cuidando da alcatéia — diz calmo.
— Seu beta seria aquele lobo que me atacou? — falo, lembrando que quase fui mordida.
Luan — Sim, mas ele só fez aquilo porque você atacou um companheiro.
— Me diz um pouco da sua cultura, não sei nada sobre lobisomens — falo, curiosa.
Luan — Gostamos de viver ao ar livre, sem "extravagâncias". A roupa que usamos depende muito do local e da temperatura. Nós caçamos nossa comida e, durante a lua cheia, uivamos para a lua — diz calmo.
— Meu pai disse que lobisomens são mais machistas do que os vampiros — falo, e ele ri.
Luan — Lobisomens não obrigam suas filhas menores de idade a casar e serem um pertence de um homem.
— Falar as coisas boas é fácil, fala as ruins — falo, olhando para ele.
Luan — Existem tradições. Sobre a parte machista, lobisomens preferem que suas parceiras sempre andem atrás; algumas alcatéias não aceitam fêmeas como iguais.
— Qual a parte r**m da sua? — pergunto, curiosa.
Luan — Nessa alcatéia, tem uma tradição estranha, mas eu tento acabar com ela. Quando uma loba completa 18 anos, ela precisa dormir com o alfa para ser considerada uma mulher adulta. Acho que o alfa antes de mim aproveitava essa tradição estranha.
— Você dorme com elas? — pergunto, curiosa.
Luan — Não, mas fica bem difícil recusar quando toda a alcatéia discorda da minha decisão. As próprias jovens mulheres querem isso.
— O que acontece se uma dessas jovens engravidar? — pergunto, curiosa.
Luan — Todas as crianças filhos de um alfa são assumidos, mas com um título que para você significaria "bastardo". Quer saber mais alguma coisa? — fico a pensar.
— Me fale um pouco do supremo — falo, curiosa.
Luan — Ele é o lobo mais forte, também é um velho amigo meu.
— O antigo alfa dessa alcatéia não era seu pai? — pergunto, curiosa.
Luan — Não, a liderança não é hereditária. Para um novo alfa comandar, o antigo precisa ser vencido. Eu venci o antigo alfa dessa alcatéia e virei o alfa atual — diz calmo.
— Sei que quer se livrar de mim logo, mas poderia me treinar? Quero aprender a me defender de lobisomens — falo, com uma carinha de gato abandonado. Vejo ele pensar um pouco.
Luan — Vai ficar no máximo três meses, entendeu? — dou um sorriso e confirmo com a cabeça.
— Espero que pegue leve no treinamento — falo, olhando para ele.
Luan — Não gosto de bater em mulher, mas não fique achando que vou te deixar vencer.
Certeza que não vai pegar leve comigo.