Carla Narrando Eu nunca tinha ido a um baile funk de verdade. Já tinha visto vídeo, stories, ouvido história, mas estar ali, naquele camarote alto, olhando tudo de cima, foi surreal demais. As luzes cortando a fumaça, o grave batendo no peito como se fosse outro coração dentro de mim, a multidão pulando em sincronia, e aquele sentimento estranho de medo misturado com fascínio. Eu me senti pequena e gigante ao mesmo tempo. E aí eu olhei pro meu pai. Meu Deus, que orgulho. Ele não andava, ele deslizava. As pessoas abriam espaço, abaixavam a cabeça, cumprimentavam com respeito real, não era medo vazio, era reconhecimento. O nome dele ecoava em vários cantos, o vulgo sendo gritado como se fosse um refrão. Ali, vendo tudo de cima, eu entendi uma coisa que talvez eu nunca tivesse entendido

