Não é um beijo. É uma afirmação. Uma tomada de posse. Uma explosão de tudo que tava contido naquela sala. O gosto dele é de cerveja e raiva, e algo mais profundo, mais amargo. Meu corpo reage antes do meu cérebro. Um choque percorre minha espinha, e um gemido baixo, preso, escapa da minha garganta contra os lábios dele. Meus braços, que tinham ficado soltos ao lado do corpo, se levantam e minhas mãos se agarram aos braços dele, sentindo os músculos duros, tensos. O fôlego acaba. Eu puxo o ar pelo nariz, ofegante. Ele percebe, e puxa os lábios dele nos meus dentes, separando nossas bocas por um centímetro. A respiração dele é quente e rápida no meu rosto. — Por que que você deixa aquele arrombado do Roni ficar naquela melação com você? — a pergunta dele sai num rosnado, a mão no meu pesco

