Mariana Narrando Não há assinatura completa. Apenas a inicial, riscada com força, como um ponto final. Fico parada, segurando o papel, lendo e relendo. As palavras são duras, cheias de espinhos, de justificativas tortas, de uma lógica brutal que tenta se disfarçar de indiferença. “Não é presente.” “Não é perdão.” “A vida é assim.” Mas ele lembrou. Ele escreveu. Ele tentou, do jeito desastrado, amargo e completamente falho dele, marcar a data. E no meio de toda aquela aspereza, algumas frases me atingem em cheio: “merece pelo menos um café da manhá feito e um bilhete que diga que alguém lembrou.” e “pelo menos aqui, por enquanto, ninguém te vende de novo.” Um soluço sobe na minha garganta, inesperado, rouco. As lágrimas começam a escorrer, quentes e silenciosas, pelo meu rosto. Não são

