Víbora Narrando Coloquei o notebook em cima da pedra de mármore que servia de apoio, peguei a latinha de cerveja vazia e mandei ela pro lixo com um arremesso seco. A cerveja ainda não tinha feito nem cócegas na tensão. Abri outra, o metal gelado uma âncora na minha mão. A campainha tocou. Dei uma olhada rápida no monitor da câmera de segurança. Era o carro dele, o pisca-alerta dado naquele jeito específico, três rápidos, dois lentos. Nosso código. Apertei o botão do portão. Ele entrou manobrando a moto com uma facilidade que só quem nasceu no asfalto e se adaptou ao Morro. Estacionou, desceu, tirou o capacete. O Ômega. Não era velho, longe disso. Tinha uns 30 anos, mas o apelido veio da época que ele era o único que mexia com "tecnologia de outro planeta" aqui no Cerro-Corá. Magro, ócul

