Sanguinário Narrando O dia foi daqueles que cansa até a alma. Levantei cedo, ainda com o gosto amargo do quase-beijo da Mariana na boca – um gosto que era mais ideação minha do que realidade, mas que ficou grudado igual teia de aranha. Fui direto pra rua. Supervisão do morro inteiro. Andei a pé pela parte baixa, de moto pela alta. Vi olheiro dormindo no ponto, dei um esporro que o c***a deve ter cagado nas calças. Ajustei a rota de dois vapores que tavam fazendo o mesmo caminho, criando ponto cego. Passei na boca principal, peguei a planilha da Víbora, conferi os números de cabeça. Tudo batendo. A lojinha da Dona Marta tava sem pagar a "taxa de proteção", mandei o Guga cobrar com jeitinho – ela é velha, faz um bolo de fubá que me lembra algo que não quero lembrar. De tarde, reunião com

