Vejo o conflito no rosto dele. Medo de me mandar. Medo de perder o negócio. No final, a ganância vence, como sempre. Ele solta um ar. — Vai. Mas fica esperto. Qualquer coisa, grita. — Gritar aqui, pai? Quem vai me ouvir? Os ratos? — dou de ombros, abro a porta e desço. O ar do porto é salgado e podre. Caminho até a entrada lateral do armazém 12, uma porta de metal corrugado entreaberta. Empurro. O interior é enorme, vazio, iluminado por poucas lâmpadas penduradas que criam mais sombras do que luz. No centro, um grupo de homens. Três, quatro. Grandes, de terno escuro, claramente seguranças. E no meio, um homem mais baixo, vestindo uma thobe branca impecável e um ghutra vermelho. O Sheik. Ao lado dele, um cara magro, de óculos, o intermediário. Todos os olhos se viram para mim. Sinto aque

