Mariana Narrando Os passos dele se afastaram. Fiquei parada sob a água, a raiva se dissipando em confusão. Remédio? Curativo? Balançei a cabeça, sem acreditar. Um gesto… humano? Não, não poderia ser. Era só pragmatismo. Ele não queria uma infecção, um problema maior. Mas, por um segundo, um minúsculo e frágil sorriso de pura incredulidade tocou meus lábios. Alguém, mesmo que fosse ele, tinha pensado em aliviar minha dor. Saí do banheiro envolta na toalha, o corpo ainda fumegando. Enxuguei-me com cuidado, evitando os cortes. Ao sair, vi uma pequena caixa de primeiros socorros de plástico verde em cima do colchão, ao lado da camiseta preta. Abri. Havia gaze, esparadrapo, antisséptico e um cartela de dipirona. Peguei um comprimido, coloquei na boca e engoli com um gole de água da torneira

