Mariana Narrando O sono foi uma fuga pesada, mas a realidade voltou com um susto ao amanhecer. Meu corpo acordou em pânico, o coração disparado, como se tivesse perdido a hora da escola. Respirei fundo, tentando me acalmar, e então a memória bateu: eu não vou mais à escola. Nunca mais. Uma tristeza profunda, sólida como pedra, se assentou no meu peito. Tudo o que eu era, tudo o que planejava, foi apagado em um dia. Agora, eu era só a garota do quarto dos fundos. Para combater o vazio, fiz o que sabia fazer: me cuidar. Tomei um banho demorado, lavando o cabelo com o shampoo novo, sentindo o aroma de flores como um pequeno ato de rebelião contra a sujeira do mundo dele. Enrolei o cabelo na toalha, passei hidratante no corpo, e, sem pensar, comecei a cantarolar baixinho uma música antiga q

