Mariana Narrando A raiva ainda tá aqui, grudada nos ossos, um veneno quente que não esfria. Joguei tudo na cara dele. Tudo. Ele pode fazer o que quiser da vida. Pode encher as casas dele de mulher, pode t*****r na rua, no meio da praça, não é da minha conta. Mas trazer p**a pra dentro daquela casa? Chamar meu nome no meio do ato? Isso não era só desrespeito. Era uma violação. Era ele cuspindo em cima do que quer que tenha acontecido entre a gente, transformando aquilo numa piada de mau gosto, num fetiche nojento. O tapa doeu, mas o que ele disse depois doeu mais. Aquele papo de "te dei uma casa, te dei comida". Como se eu tivesse que ficar de joelhos, agradecendo por não estar sendo estuprada por dez homens numa viela. Eu não tenho uma casa. Tenho uma cozinha que eu uso, uma sala que me

