Mariana Narrando Não consegui dormir. Fiquei deitada, de olhos fechados, com o rock estridente explodindo nos meus ouvidos até eles doerem. Era meu escudo contra o mundo, contra a casa, contra a memória dos sons que tinham vindo de baixo. As horas arrastaram-se como um fio de arame farpado pelo meu peito. Só tirei o fone quando a luz do dia começou a rachar a escuridão atrás das cortinas. Abri a porta do quarto devagar. Um silêncio pesado, carregado, tomava conta da casa. O tipo de silêncio que vem depois de uma explosão. Desci, o coração batendo forte, mas não de medo. De uma decisão fria que tinha se formado nas horas de escuridão. Voltei para o quarto peguei as minhas coisas e fui até o principal – dele – e encarei a cama. A cena do sofá, o meu nome na boca dele, o nojo… tudo se tran

