Mariana Narrando A tarde tinha seguido um ritmo estranhamente normal, depois daquela conversa pesada com a Víbora na cozinha. A tensão ainda estava lá, um fio elétrico no ar, mas a gente seguiu. Fizemos comida juntas – algo simples, arroz, feijão, um frango – e sentamos para almoçar no balcão da cozinha da casa grande. Era estranho estar ali, naquele espaço que era dele, sem ele. O silêncio da casa era enorme, mas a presença da Víbora, firme e real, tornava-o suportável. O Sanguinário não apareceu. Nem sinal. A Víbora disse que ia fazer um telefonema e foi para o quintal, falando baixo com alguém. Eu fiquei lavando a louça, o barulho da água quente tentando afogar os meus pensamentos. Quando ela voltou, tinha um brilho nos olhos, aquele brilho de quem acabou de tomar uma decisão arriscad

