Mariana Narrando Cada palavra dele era uma faca cravada na imagem que eu ainda tentava manter de minha família. E no meio daquele furacão de ódio, uma parte pequena e assustada de mim entendeu: a fúria dele era a prova final de que meu pai e meu irmão eram exatamente o que eu temia que fossem. E, de algum jeito doentio, a violência dele naquele momento era mais honesta do que qualquer sorriso falso que eles tinham me dado em toda a minha vida. Eu fiquei parada, tentando processar. Meu pai tinha o dinheiro. Tinha vindo me resgatar. Uma parte minúscula e estúpida de mim sentiu um lampejo de esperança. Mas a maior parte, a parte que já conhecia a podridão dele, só sentiu um frio profundo. — Por que da revolta? — perguntei, quando ele fez uma pausa para respirar. — E por que você não me en

