Sanguinário Narrando Ela dá um salto, o prato quase cai. A respiração dela acelera, os olhos ficam vidrados. Mas ela não chora. Ela empurra o prato dela com força na mesa, fazendo ele raspar, e senta de volta na cadeira com um baque. Cruza os braços com força, o queixo erguido, e me encara. Não desvia o olhar. — Tem certeza que eu tenho que ficar aqui mesmo? — a pergunta dela é cortante. — Eu não posso simplesmente lavar o meu prato, meu copo, e voltar praquele quarto? Dou uma gargalhada. É uma gargalhada sem graça, só ar saindo. — Você tava lá dentro gritando, dizendo que queria sair. Disse que tava com fome, com sede. Dei comida, dei água. Agora tu quer voltar pra lá? Faz o que tu quiser, então. Vai. Ela não se move. Só me olha. E aí, do nada, a máscara dela racha. Os olhos enchem

