Sanguinário Narrando Desliguei o telefone na cara do arrombado do pai da Mariana, a raiva ainda um gosto de metal na boca. 24 horas. A decisão tava tomada. Ou o dinheiro, ou o sangue. E ela, no meio, como a isca e o prêmio. Mas a raiva não enche barriga. Depois do banho, desci e a realidade bateu: tava com fome. E, pensando bem, se eu tava assim, a Mariana também não devia ter comido nada. Olhei no relógio da parede. Quase duas da tarde. O almoço tinha passado batido. Peguei o celular de novo, mas dessa vez pra algo útil. Liguei pra Dona Judite, que tem um restaurante no meio do morro que é ponto de refúgio e comida caseira de verdade. — Dona Judite, é o Sanga. Tá podendo mandar duas refeições completas pra cá? Bem reforçada. E suco de maracujá. Manda uma sobremesa também. A voz dela

