Mariana Narrando A Víbora estacionou na frente da casa dela com um suspiro de alívio que ecoou no silêncio da madrugada. O motor do carro se calou, e por um instante, só restou o zumbido nos meus ouvidos, remanescente da música e da gritaria da festa. — Chegamos — ela disse, a voz rouca de cansaço. Do lado de fora, o ronco das motos do Gigante e do JP parou. Eles tinham feito a escolta, silenciosos e atentos. — Obrigada, Vi — murmurei, desamarrando o cinto. — Pode deixar, amiga. Agora é entrar, cair na cama e esquecer que o mundo existe por umas horas. Amanhã… bem, amanhã a gente vê. Saí do carro. O ar da madrugada no Cerro-Corá era frio e carregado de um silêncio pesado, bem diferente do burburinho do Guararapes. O Gigante deu um aceno de cabeça, seu rosto sério iluminado pela luz f

