Mariana Narrando Comer foi um ato de guerra. Cada garfada de lasanha congelada, cada gole de água, foi uma batalha contra o medo que travava minha mandíbula. Meu corpo, traidor, clamava por combustível, mas cada movimento do garfo era observado. Eu o sentia, o peso do olhar dele. Não estava só vendo; estava avaliando, medindo, como se eu fosse uma estranha peça de máquina que ele não sabia como operar. Comi rápido, sem saborear, engolindo pedaços quase inteiros, com o único pensamento de que não sabia quando teria outra chance. O café da manhã, um pão com manteiga e frutas às seis da manhã, que eu comi ainda na minha casa com a minha família parecia parte de outra vida, de outra pessoa. Aquela lasanha gordurosa era a ponte queimada entre quem eu fui e quem eu sou agora: alguém que come s

