Cora
10 anos depois...
Caralho. p**a que pariu.
Eu fiquei de olhos arregalados, perplexa, e com o coração acelerado olhando para o gigante de um metro e oitenta de altura esparramado de bruços na minha cama.
Nu.
Na minha cama.
Segurando o cobertor firmemente em volta do MEU corpo nu de um metro e setenta, fiquei parada à distância. Olhando como um robô para o ritmo de subida e flexão de grandes feixes de músculos lisos em suas costas. Ele estava com o rosto virado para a parede, mas diabos, eu não precisava ver o rosto dele para deduzir quem ele era. Eu era tão familiarizada com o cheiro dele quanto com o cheiro de grãos de café recém-assados que te recebem quando você entra na nossa cafeteria. Mesmo depois de todos esses anos.
Lentamente, arrastei meus olhos para o chão, onde nossas roupas estavam jogadas como origamis e peguei habilmente o vestido sedoso que eu estava usando na balada ontem à noite com os meus dedos dos pés. Meus olhos nunca deixaram o corpo enorme dele, deixei o cobertor escorregar lentamente. Jogando o vestido sobre a minha cabeça, silenciosamente me arrastei em direção à porta, nem ousando respirar até sair do quarto.
Uma vez que estava fora, não olhei para trás. Desci as escadas correndo, sendo encarada com olhares sujos de um bando de senhoras enquanto tocava desajeitadamente a campainha do apartamento logo abaixo do meu. Eu poderia culpá-las? Eu nem estava vestindo roupas íntimas, droga. Elas estavam debaixo das dele. Eu não tinha a intenção de tocar no que é impraticável.
— Cora, são sete e trinta da manhã e eu estou com a pior ressaca do século aqui. Agora não é a hora. — os olhos de Maya, que em todos os outros momentos são hipnotizantes, estavam vermelhos de sangue enquanto ela me encarava, apoiada na porta.
— Eu dormi com o Logan. — eu disse abruptamente, ainda incapaz de acreditar mesmo que eu tenha me ouvido com toda clareza. Agora ela estava completamente acordada, em pé e olhando de volta para mim com a mesma expressão que eu tive alguns momentos atrás quando acordei com uma vontade louca de fazer xixi. Agora, isso certamente tinha sido esquecido.
— Logan! — ela exclamou. — Aquele Logan?
— Exatamente aquele Logan. — eu balancei a cabeça, meu estômago se retorcendo de ansiedade.
— Logan...Logan Gray? — Ela repetiu. — Alfa Logan?
— Eu não sei sobre a coisa do alfa, mas sim, Maya...Logan Gray — eu fiz careta, me aproximando e desabando no sofá de couro espalhado dela.
Coloquei minha cabeça latejante nas minhas mãos, desejando com todo o meu coração que eu estivesse enganada. Que ele fosse outra pessoa com talvez o exato mesmo cheiro… de almíscar e agulhas de pinheiro. Eu zombei da minha ridícula ideia. Ele era ele. Não importa o que aconteça, não importa quantos anos possam ter se passado, dez anos e quinze dias, se eu for cuidadosa, eu ainda reconheceria o cheiro dele. E ele.
— Eu não entendo. — minha melhor amiga repreendeu. — Como isso é possível? Como...Você em pleno juízo nunca faria isso!
— É justamente isso. — Eu a olhei acusadoramente. — Eu não estava em pleno juízo. Ninguém está plenamente em juízo depois de se afogar em vinte e sete doses de vodka, May. Mas sabe o que é pior?
— Ah, temos algo pior ainda?— Ela perguntou, cruzando os braços ao se sentar no balcão da cozinha. — Diga.
— Eu não me lembro de nada— , eu sussurrei horrorizada. — Nada depois de tomar os primeiros três copos. Oh, estou tão ferrada.
— Meu Deus. Nós fomos à balada ontem à noite, Cora. Tenho quase certeza que foi lá que você esbarrou nele. Espero que você lembre por que fomos à balada. Você lembra, não lembra?— Maya exigiu. Eu olhei para ela e fiz uma careta.
Um dia atrás...
— Ah, não de novo! — eu me apoiei no balcão e lancei um olhar questionador para Daniel, meu colega, um outro garçom como eu, e um dos meus melhores amigos. Ele encarou a máquina de café antes de suspirar e se virar para mim.
— De novo?— eu ri e ele acenou, acenando a mão.
— De novo.
— Eu vou pegar uma nova do estoque. — eu ri. —Se anime, cara. Você tem um encontro com o gostosão quente esta noite. Você vai ganhar rugas.
— Talvez, eu devesse pegar algumas máscaras faciais então?— Ele sorriu e balançando a cabeça, eu coloquei os copos que eu estava limpando na bancada e fui para a área de estoque atrás.
Levantei a mão para destrancar a porta, mas, para minha surpresa, ela já estava destrancada. Franzi a testa e entrei, meus olhos procurando por uma nova máquina de café entre as pilhas de caixas cheias de grãos de café e leite em pó e pratos e toda a bagunça cotidiana.
— Onde você está?— eu murmurava, coçando a cabeça. — Máquina de café...e...
— Ah, eu amo você tanto, amorzão! — eu franzi a testa para a voz masculina dolorosamente familiar. — Ah, você é tão melhor do que ela. A Cora é tão… boazinha.
Quê?
Rangendo os dentes, segui na direção do som e dos barulhos sugadores e gemidos acompanhantes em direção ao fundo da sala. Alguém ia morrer pelas minhas mãos hoje, eu pensei, estalando o pescoço.
— Continue assim— a voz feminina ainda mais familiar gemeu. — Você é tão bom!
— Não é mesmo?— Ele exclamou. — Aquela vagabunda nunca está satisfeita. Ela é como um vaso vazio, sabe. Mas você...
As próximas palavras dele provavelmente ficaram entaladas na garganta dele quando seus olhos verdes pousaram em mim. Ele olhou chocado. Meu patético, i****a e humano namorado, Eric. A ruiva com quem ele estava transando, outra garçonete da cafeteria, Rebecca, me lança um sorriso. Sem dúvida, sua autoestima estava sendo alimentada pelos elogios falsos que esse pedaço de merda usa para enganar todas as outras garotas com quem ele estava transando às minhas costas.
— Cora!— Eric gemeu, rapidamente abotoando sua calça. — Não é o que você está pensando...nós estávamos apenas...
— Eu ainda não comecei a pensar, Eric— , eu disse, minha voz séria enquanto o encarava duramente. — Ainda estou processando. E reze, querido, se você não desaparecer da minha vista antes que eu tenha terminado de fazer isso, você não terá a capacidade de fazer o que não é o que eu penso que seja novamente.
— Vamos, Cora...você não pode ficar ofendida. — Rebecca cantou, arrumando sua saia. — Encare, nem todo homem é louco por você. Eric é apenas um deles. — eu virei meus olhos para o rosto dela e sorri.
— Homem?— Eu zombei. — Quem? Ele? Querida, sua definição de homem não é absolutamente a mesma que a minha.
— Cora! — Eric fez uma careta para mim. — Não vamos entrar nessa sujeira agora.
— Não vamos mesmo. — eu concordei. — É por isso que quando eu voltar para casa às sete horas, todas as suas coisas devem estar fora do meu apartamento. Especialmente suas meias fedorentas e cuecas cheias de musgo. Se você não conseguir fazer isso...bem, você me conhece, então você não deveria.
— Que p***a! — Eric exclamou. — Você não pode fazer isso comigo.
— Hmm, e por que não?— eu perguntei. — Eu pago o aluguel. Eu pago as contas. Eu pago pelo supermercado. E o contrato de aluguel está no meu nome também. Então me dê uma p***a de uma boa razão pela qual eu não posso? A única coisa que eu esperava de você era pelo menos ser bom no que você deveria ser bom. Mas eu tenho medo de que o seu p*u do tamanho de uma ervilha não tenha sido muito complacente até agora nesse quesito também.
— Você realmente é uma vaca— Rebecca resmungou, parecendo chocada.
— Eu sou. — eu concordei. — Ah...aqui está a máquina de café! — Eu peguei a coisa e olhando para os dois idiotas, comecei a voltar para a loja. Mas parei por um breve segundo e me virei novamente.
— Sete. — eu avisei. — Nem um segundo a mais. — Eric me olhou com raiva. Como se eu me importasse com isso.
Revirando os olhos, saí e tentei não deixar as palavras dele antes me afetarem. Ou a sensação implacável no meu coração. Eu não estava vazia. Eu realmente fiz o meu melhor desta vez. Ele era um i****a. E eu deveria ter visto isso chegando. Afinal, esse não era o meu primeiro fracasso épico em ter um relacionamento normal com um cara normal. Esse já era o meu décimo quinto. Acho que, humanos ou lobisomens, homens eram apenas idiotas em todos os reinos. A menos que eles fossem gays.
— Eu não acredito nisso! — Maya, minha melhor amiga e companheira dos últimos Deus sabe quantos anos, murmurou, esfregando meu braço com simpatia. Assim como eu, ela também era uma lobisomem. Assim como eu, ela também era órfã. E uma renegada. Embora tenhamos deixado essa vida para trás há muito tempo.
— Você tem um azar extremo com homens. — Daniel afirmou como um fato. — Talvez você seja atraída por idiotas? — Eu o olhei em resposta a isso.
— Obrigada, Danny. — eu murmurei, empilhando lenços para me distrair. Isso era francamente humilhante.
— Bem, habilmente é bom. — Maya ofereceu. — Você está livre da merda. Talvez devêssemos comemorar, huh?
— Sim, o histórico patético do meu relacionamento é algo a se comemorar. — eu concordei.
— Vamos lá, você não faz relacionamentos mesmo— , Daniel apertou minha mão. — É só sexo, não é? Por isso é hora de encontrarmos uma nova conquista para você. Denver e eu estamos indo para essa balada chique para o nosso encontro. Vocês duas deveriam se juntar a nós. É sexta-feira afinal!
— Não, eu vou passar. Eu tenho que fazer controle de pragas no meu apartamento assim que o parasita sair. — Eu disse. — Divirtam-se!
— Ah, vamos lá! Eu preciso de vocês, meninas. Vocês sabem como eu fico nos primeiros encontros. — Daniel gemeu, e eu sabia que era uma doce tentativa dele de me animar.
— Vamos lá, Cora. É final de semana! — Maya insistiu. — Temos a liberdade de ficar bêbadas e lamentar sobre nosso futuro inexistente. Existe algo mais atraente do que isso?— Eu desviei meu olhar para os dois rostos animados e não pude deixar de sorrir.
— Acho que não. — eu respondi.
Dia de hoje...
— Obrigada pelo lembrete— , eu fiz careta, segurando o meu cabelo. — Agora o que eu faço? Devo esperar até que ele tenha saído?
— Certo. Você dormiu com ele e agora quer evitar toda essa situação como uma maluca?— Maya apontou. — Cora Scott nunca faria isso. Pelo menos não a Cora que eu conheço.
— Eu não quero enfrentá-lo. Definitivamente não nessa situação. — eu murmurei, esfregando o rosto.
— Vamos lá, Cora, já se passaram dez anos!— Ela apontou. — Você passou por uma puberdade completa de lobisomem depois disso. Ele nem vai te reconhecer, pelo amor de Deus!
— Eu o reconheci. — eu fiz careta.
— Você quer que eu vá lá?— Maya arqueou as sobrancelhas.
— Não é isso. — Eu franzi a testa para ela. — Eu lembrei do cheiro dele. Depois de passar anos entre humanos, o cheiro de um lobisomem sempre se destaca, você não acha?
— Tanto faz. Vá lá e lide com essa bagunça. Então você dormiu com ele, grande coisa! — , ela deu de ombros. — Seja um homem! — Eu sabia que não estava recebendo muita ajuda aqui. Sombriamente, me levantei e arrastei a minha b***a inútil de volta para o meu apartamento lá em cima.
Cautelosamente, abri a porta e olhei para dentro. Havia um silêncio absoluto. Nem mesmo tentei inventar alguma resposta premeditada enquanto entrava no meu quarto. Para minha surpresa, não havia nenhum gigante adormecido na minha cama. E nenhuma roupa espalhada pelo chão. Suspirei com alívio. Tudo por nada. Talvez ele tenha encontrado o apartamento vazio e tenha ido embora. Bom para mim.
— Uh, eu tive que usar o banheiro. Espero que não se importe. — Sua voz era mais grave e masculina do que eu me lembrava. — Eu não acho que peguei seu nome ontem à noite. A propósito, eu sou o Logan.
Eu estava certo. Era ele. E esta situação era inevitável. Respirando fundo, eu me virei.
Por favor, Deus.
Que ele não se lembre de mim...