Ch-3 Plano

3048 Words
Logan Eu sabia que isso era uma aposta alta. Na verdade, provavelmente um dos planos mais estúpidos que alguém já pensou. Mas do meu ponto de vista, parecia perfeito. Se... se eu conseguir dar conta disso, é claro. Não seria fácil. Ao contrário dos relacionamentos humanos, nós, como lobisomens, trabalhamos de uma maneira muito diferente. Fingir um vínculo de companheiro exigiria um nível impecável de atuação. Qualquer um, especialmente os mais velhos, poderia ver e perceber até mesmo uma pequena rachadura. Mas eu estava desesperado. Literalmente desesperado. E tempos desesperados exigem medidas desesperadas. Eu estava prestes a completar vinte e sete em dois dias. Para os humanos, isso pode não ser nada. Mas em nosso mundo, e para alguém como eu, um alfa, era um momento em que você está pronto para se tornar pai. Ou já era pai na maioria dos casos. Mas aqui estava eu, ainda sem companheira. Esqueça os filhos. Eu virei no momento em que completei dezesseis anos, então tecnicamente deveria ter encontrado uma companheira há um milhão de anos. Quando completei vinte e ainda não tinha encontrado uma companheira, meus pais me asseguraram que isso poderia ser um pouco tarde para alguns. Assim como a puberdade. Mas à medida que os anos passavam, todos começavam a ficar preocupados, especialmente meu pai, e agora as pessoas estavam começando a falar pelas minhas costas, o que era uma vergonha para mim e para a minha Alcateia. Meu pai ainda estava servindo como o regente alfa porque eu ainda não tinha prestado o juramento. Eu não posso ser um alfa oficial e governar sem minha luna ao meu lado. Nenhum dos meus irmãos, Noah com vinte e cinco anos, e Asher com vinte e três, tinha a intenção de encontrar uma companheira para que um deles pudesse assumir pelo menos. Noah tinha suas razões e Asher preferiria se divertir do que ficar com alguém pelo resto da vida. E meu pai não aceitaria isso. Ele me treinou especialmente para ser o próximo alfa da Alcateia Gray Crest. A responsabilidade era imensa e eu não queria falhar com ele. Era preciso uma Luna. O mais rápido possível. — Você está ouvindo a si mesmo?— Noah exclamou, parecendo perplexo. — Você quer contratar alguém para se passar por sua Luna. Espere... você ouviu isso agora? — Eu ouvi tudo alto e claro— , respondi. — Mas eu tenho escolha? Nós temos que voltar para casa em breve. Minha visita à Alcateia de Caleb foi novamente um fracasso total e, só para você saber, eu ainda estou sem companheira. Você não ouviu o que o pai disse? É melhor eu voltar para casa com uma companheira, Noah. Ele falava sério. — Isso ainda é insano. — protestou Noah. — Diga a ele que você vai esperar pelo baile de acasalamento. O que são mais seis meses? — As pessoas estão me chamando de sem companheira. — Eu disse silenciosamente, sentindo um arrepio ao pronunciar as palavras. — Se eu voltar, isso será confirmado. Talvez ninguém diga nada na minha frente, mas as palavras vão se espalhar. Isso não só prejudicará nossa reputação como a Alcateia líder e mais poderosa, mas também dará aos inimigos uma oportunidade de pensar que somos fracos. Lembre-se, um alfa não é nada sem sua luna. E qual é a garantia de que eu encontrarei uma companheira no baile de acasalamento? Pelo menos fazendo isso, eu teria alguma desculpa para me proteger. Um alfa sem companheira... como isso soa para você? — Mas...— Noah franziu a testa. — Isso é loucura. — Eu não vejo por que é tão r**m. — comentou Asher. — Quero dizer, são apenas seis meses. Eles vão fazer um tumulto nas primeiras semanas e então ninguém vai se importar. Tudo o que ele precisa fazer é treinar a garota, só isso. Agir como se estivesse apaixonado e todas essas coisas. — E de onde diabos ele vai encontrar a garota certa?— exigiu Noah, levantando uma sobrancelha para Asher. — No Tinder? Você acha que um vínculo de companheiro é algo para fazer piada? Você acha que uma garota humana conseguirá entender as complexidades do nosso mundo e os deveres de uma Luna? No momento em que a palavra lobisomem sair de sua boca, ela vai correr para as colinas, Ash. E onde diabos ele vai encontrar uma fêmea dessa espécie nessa cidade gigantesca? — Ele disse que já encontrou uma. — Asher apontou, olhando para mim. — Ele está bêbado. — Noah revirou os olhos. — Ele acabou de acordar nu no apartamento de um estranho algumas horas atrás. O que você espera? — Uau... sério? — Asher exclamou, parecendo animado. Entre nós três, ele era o mulherengo, o caçula mimado. Noah era muito sério para a idade e eu simplesmente não tinha tempo. — Sim— , eu assenti com a cabeça. — E sim, há alguém. Eu acho que ela seria uma candidata perfeita. Ou talvez não. Eu não sei. Ela é minha melhor aposta. É tudo o que posso dizer. — Eu não conseguia sentir convicção em minhas palavras, mas ela realmente era minha melhor aposta. Não havia ninguém que se encaixasse perfeitamente no papel como ela em tão pouco tempo. — Hã?— Noah franziu a testa. — O que você quer dizer? Eu não entendo. — Hoje quando você me ligou, eu estava na... casa da Cora. Aparentemente, ela era a garota de cabelos castanhos. — Respondi e não consegui evitar o sorriso relutante que se espalhou em meus lábios ao mencionar o nome dela. A pequena Rara agora é adulta. Um silêncio longo se espalhou pela sala enquanto Noah e Asher me encaravam sem expressão. Era compreensível, porque era exatamente o que minha reação foi. Já se passaram dez anos desde que todos nós a vimos. E encontrá-la em Nova York de todos os lugares, eu ainda estava tentando entender isso. — Co... Cora?— Noah quebrou o silêncio primeiro. — Cora Scott? — Rara! — Asher exclamou, olhos arregalados. Eu acenei lentamente com a cabeça. — Sim. — Eu concordei. — Agora ela está completamente crescida. — Caramba— , Noah sussurrou. — O que... ela está aqui? — Isso também me surpreendeu. — eu disse. — Fiquei chocado quando a vi. — Oh, já faz tanto tempo. — murmurou Asher com um sorriso. — Eu senti tanto a falta dela. Eu também quero conhecê-la. — Na verdade, eu não acho que ela queira nos conhecer. — Eu murmurei, coçando a cabeça ao lembrar de seu comportamento comigo anteriormente. — Poderíamos culpá-la?— disse Noah, me olhando. — Você esqueceu o que aconteceu há dez anos? Foi nojento. E nesse caso, o que te faz ter tanta certeza de que ela concordaria com esse acordo seu? Ela pode nem querer estar perto de nós, muito menos passar os próximos seis meses fingindo ser sua luna. — Eu não sei. — Eu encolhi os ombros. — Acho que vou ter que implorar para ela ou descobrir alguma maneira dela concordar. Talvez por causa dos velhos tempos?— Noah soltou um riso sarcástico. — Nós também podemos implorar, se você quiser. — Acrescentou Asher. — Ao contrário de você, ela talvez não diga não para nós. — Não. — eu neguei com a cabeça. — Não quero sobrecarregá-la. Já se passaram dez anos afinal. Eu vou lidar com isso. Só preciso fazer algumas ligações e ver qual seria minha melhor opção. Também posso precisar preparar um contrato. Algo me diz que ela gostaria disso se ela concordar. Traçar os termos e condições desse relacionamento. O que eu ganho com isso e o que ela faz. — Isso parece um filme. — Asher riu alto, ficando quieto quando Noah o olhou. — Você está realmente determinado com isso. — disse Noah secamente. Ele não estava nem perto de estar tão entusiasmado quanto Asher. E isso era compreensível, porque Noah era mais sensato. Ele sabia como todo esse plano poderia dar errado na minha cara. Mas eu não tinha outra opção. Eu assenti para ele. — Sim, estou. — Eu respondi. — Vou voltar para casa com minha Luna. Se não for destinada, então... alugada. Entrando em meu escritório, fechei a porta e liguei para a minha secretária, Harper White. Além de gerenciar uma Alcateia, eu também precisava cuidar de nossos diversos negócios. Ao contrário da Alcateia, onde todos os nossos deveres eram claramente divididos até o último da cadeia, os ômegas, quando se tratava de nossos negócios, os três, eu, Noah e Asher, tínhamos igual responsabilidade. O dinheiro dos negócios, é claro, ia para o bem-estar da Alcateia, para sua expansão e fortalecimento. Afinal, não era apenas uma pequena Alcateia composta por um punhado de membros. Gray Crest era a Alcateia mais forte, maior e mais rica do país. A razão é que tínhamos algum tipo de linhagem real ou algo assim. Eu dormia na maioria das aulas de história de qualquer maneira. A única outra Alcateia que nos deu trabalho foi a dos Lycans que governam no sul. Não mexemos um com o outro. Eles eram Lycans. O motivo era óbvio. Nós não éramos literalmente uma realeza, mas quando se tratava de avaliar o patrimônio líquido de todas as Alcateias, ninguém nunca nos superou nas últimas décadas. Era algo para se orgulhar, mas claramente isso também significava que tínhamos mais inimigos querendo nos matar do que nunca, mais traidores e incontáveis detratores. Tudo mais uma razão para eu precisar encontrar uma luna para a Alcateia antes que alguém pudesse usar essa pequena fraqueza contra nós. — Senhor — White murmurou, sua voz sempre sem emoção. Ele era humano, mas conhecia nossa identidade e já estava acostumado com isso. Ele era pago o suficiente por isso. — Eu preciso que você encontre informações sobre uma garota. Tudo o que você puder. — Eu disse. — O nome dela é Cora Scott. Filha de Anthony e Fiona Scott. Ela mora aqui na cidade. Eu não peguei o endereço, mas acredito que você possa cuidar disso. — Eu posso. — ele respondeu. — Quanto tempo isso vai levar? Não tenho muito tempo sobrando. — murmurei. — Meia hora, senhor. Mais alguma coisa? — White perguntou. — Uh...— nem mesmo queria dizer isso. — Bem, eu precisaria que você fosse o mais aprofundado possível. Eu, er... estou procurando... algo... para usar como alavanca, se possível. Isso era tão desconfortável e errado. Depois de todos esses anos, isso não era o que ela merecia. Embora ela devesse algo para nós de alguma forma pela misericórdia que meu pai mostrou à família dela há dez anos. Ainda assim, ela não precisava que eu invadisse sua vida, quando eu fui quem pediu para ela sair. Mas eu estava realmente no auge do desespero. Se houvesse qualquer outra pessoa que pudesse ser pelo menos metade adequada como Cora, eu nunca teria feito isso. Porque não havia como a Alcateia ficar empolgada por ter uma foragida como Luna. Mas não havia ninguém, e eu não tinha tempo para procurar em Nova York. Cora conhecia as regras da Alcateia. Ela estava familiarizada com a maioria das coisas. Com um pouco de treinamento, ela seria uma Luna perfeita, mesmo que apenas por fachada. — Eu entendo. — disse White. — Vou conseguir tudo o mais rápido possível. — Muito obrigado— , eu murmurei agradecido e desliguei a ligação. Suspirando, sentei de volta em minha cadeira e esfreguei meu rosto. Interiormente, tentei pensar no que diria a ela quando a visse novamente. Ela não tinha intenção de me ver novamente, claramente. Eu tenho certeza de que ela estava tão bêbada quanto eu na noite passada. Caso contrário, não teria acabado em seu apartamento. Eu realmente dormi com ela? Eu não tinha ideia do que sentir sobre isso. E uma parte de mim estava feliz por não me lembrar de nada. Cora e eu crescemos juntos desde que éramos bebês. Eu nunca fui tão próximo de ninguém como era com ela. Compartilhamos um vínculo que não podia ser explicado em palavras. Ela era como uma alma gêmea que me conhecia melhor do que eu mesmo, mas tudo de uma maneira amigável. Nunca houve nada mais. Eu já tive minhas namoradas e casos, e Cora sabia sobre todos eles. Mas para nós... era apenas amizade pura e ainda assim não completamente isso. E então um dia, assim, o vínculo foi rompido para sempre. As memórias perdidas trouxeram um desconforto sombrio dentro de mim. Como diabos isso vai dar certo? — Você encontrou o que estava procurando? — exigiu Noah, empurrando um copo de cerveja na minha direção enquanto descíamos para o bar mais tarde à noite. Asher havia desaparecido em algum lugar. Não precisava perguntar, provavelmente encontrou algum encontro aleatório em um dos milhões de aplicativos de namoro que ele tinha no telefone. Eu não tinha ideia do porquê ele simplesmente não consegue se concentrar em encontrar sua companheira em vez de ficar enrolando. — Sim. — Eu assenti. — Ela mora sozinha aqui. Trabalha em uma cafeteria na Avenida Amsterdam como garçonete, junto com sua melhor amiga, uma pessoa chamada Maya Sanchez. Isso é basicamente tudo. Nenhum relacionamento ou algo assim. — E exatamente como você espera apresentar essa proposta? — ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado. — Você é um verdadeiro homem de negócios, então acredito que vai usar algo como alavanca? — Me encolhi internamente com o sarcasmo e assenti com a cabeça. Ele me conhecia muito bem. — Sua melhor amiga e ela estão tentando abrir um café— , murmurei, dando um longo gole na cerveja gelada. — Mas o empréstimo delas não está sendo aprovado. Pontuação de crédito negativa de acordo com as regras da cidade de Nova York. — Ok, entendi, não precisa dizer mais nada. Você vai dar dinheiro a ela para se passar por sua companheira, não é? Vai usar a fraqueza dela e trazê-la de volta para sua vida. Lembra que foi você quem pediu para ela sair? — Noah fez uma careta, fazendo uma expressão desagradável. Merda. — Não importa o que eu disse. A decisão já foi tomada. Você sabe o que aconteceu. — Eu exclamei. — Não tinha nada que eu pudesse fazer. Foi uma decisão do pai. É uma decisão acertada. Se algo, ela nos deve. Esqueceu a perda que tivemos que enfrentar por causa da traição do pai dela à alcateia? — Você realmente acredita nisso? Jesus! — Ele fez uma careta. — Bem, boa sorte. — Ele levantou sarcasticamente o copo em um brinde. — Você não tem ideia do quanto é difícil. — eu retruquei. — Então, pode me julgar o quanto quiser, mas farei o que for preciso para cumprir a responsabilidade que me foi dada. Você estará ao meu lado como meu irmão ou não. — Eu não estou te julgando. — Noah suspirou. — Isso pode dar errado de várias maneiras. E se alguém descobrir? Eu só não quero que você se meta em uma confusão. Ou a Cora. De novo, por nossa causa. — Ninguém vai descobrir. Vai ficar entre nós três. E Cora... se ela concordar. — eu murmurei, esfregando o rosto. — Esse plano é perfeito. — E se ela não concordar? — Eu não queria ouvir o óbvio. Ouvir Noah dizer em voz alta tornava tudo ainda mais provável. Claro que ela não vai concordar. Eu a conhecia o suficiente para saber disso. Mas eu precisava tentar. E tentar eu vou. Com todas as minhas forças. — Ela tem que concordar, porque eu não tenho uma alternativa — eu respondi firmemente. — Só tenho que ser habilidoso. — Novamente, boa sorte então. — Noah deu um tapinha no meu ombro. — Eu espero sinceramente que ela concorde, porque eu adoraria tê-la de volta. — Olhei para ele e ele tinha um sorriso nos lábios. Noah raramente sorri. Claramente, ele ainda adorava a Cora. A cafeteria em que ela trabalhava era bem grande. Fiquei do outro lado da rua e recitei tudo o que teria que dizer em minha cabeça de novo. Enquanto esperava o sinal ficar verde, notei um jovem vestido com uniforme de garçom saindo e, se eu não estivesse enganado, Cora estava seguindo atrás dele. Eles estavam muito longe para eu ouvir, mas parecia que estavam tentando ter uma conversa acalorada. Se isso faz sentido. Depois de um momento, ele segurou a mão dela e a arrastou para algum lugar nos fundos. Não parecia que ela queria ir. Assim que o sinal ficou verde, corri até lá e, em vez de entrar e esperar que ela voltasse, me vi seguindo os dois nos fundos. — Você me deixou humilhado pra c*****o!— Uma voz masculina irritada rosnou e quando olhei por cima, fiquei surpreso ao ver um cara encarando Cora, segurando firmemente a mão dela. — Seriamente, Eric, antes que eu te mate... solte minha mão— , Cora murmurou, parecendo entediada. — Vou te dar uma lição hoje. — O cara sibilou e pisquei os olhos quando ele fez um gesto com a mão e mais alguns homens surgiram de trás das caixas grandes e latas de lixo jogadas por ali. Eles não pareciam normais para mim. O que estava acontecendo? — Que p***a é essa!— Cora exclamou. — Me deixe chamar a polícia.— Ela começou a mexer no celular, mas antes de conseguir, ele a puxou de volta e deu um tapa forte em seu rosto. Tão forte que ela perdeu o equilíbrio e caiu com estrondo no chão, bem na minha frente. Fúria inundou minhas veias instantaneamente. Como um súbito ímpeto. Me abaixei na frente dela e, sem pensar duas vezes, levantei seu rosto. Minhas veias quase pareciam que iam explodir de raiva quando notei o sangue em seus lábios. Seus olhos mogno estavam arregalados enquanto ela me olhava novamente, parecendo surpresa. — Quem diabos você acha que é?— o cara exigiu, nos distraindo. Segurando levemente o braço dela, a puxei para cima e a coloquei atrás de mim. — Eu não preciso da sua ajuda!— Cora protestou, mas acredito que eu não estava com vontade de ouvi-la. Pelo contrário, eu estava com vontade de quebrar alguns ossos.
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