Capítulo 5

1441 Words
Mais tarde, começaram as aventuras pela cidade. Diversas praias estavam escondidas e para serem acessadas, precisavam percorrer uma trilha. Umas mais fáceis que outras. As duas arrumaram suas mochilas com itens necessários para passar o dia fora. Gabriela convidou o irmão para ir junto, mas ele tinha outros planos. – Tem certeza que não quer vir? – Insistiu. – Nah, eu vou surfar – disse, se espreguiçando. Com aquela empolgação, podiam apostar que no fim do dia ele ainda não teria saído de casa. Elisa já tinha ligado para os pais umas duas vezes. Eles exigiam contato constante, além de avisá-los no momento que chegaram na cidade, ela também avisou quando almoçou e que estava saindo para conhecer uma praia. Nas mochilas, levavam água, biscoitos, cangas, protetor solar e os celulares para tirar muitas fotos. A trilha que fariam era a da Prainha, um dos paraísos escondidos do lugar. Mas que dava para fazer a pé, em uma caminhada de 40 minutos aproximadamente. Gabriela já conhecia o trajeto, o que deixava Elisa mais tranquila com o passeio. Assim que deixaram o condomínio, ao invés de virar à esquerda, como fizeram mais cedo, elas viraram à direita. Um percurso mais ermo, porém, levava a uma série de praias mais afastadas. A trilha começava na última praia, a da Ribeira, que já estava cheia, devido à alta temporada. Ali, um rio desaguava no mar e diversas crianças brincavam na água doce que m*l cobriam as canelas delas. Gabriela e Elisa seguiram por um caminho ao lado do rio, bem no meio da vegetação. No chão, era possível ver uma tubulação azul que seguia pelo mesmo caminho que elas. – É só seguir esse cano, que você não se perde – avisou Gabriela. – Eu nem sabia que existiam praias tão escondidas assim – Elisa observava a vegetação ao redor. Em Guarapari, as praias ficavam diante de prédios enormes, era só cruzar a calçada. E já nem tinha espaço para uma construção nova, tudo já havia sido ocupado. – Algumas são ainda mais difíceis de chegar, você vai ver – Gabriela sorriu com a inocência da amiga. Estava se divertindo em ensinar e mostrar tudo a ela. Um universo que Elisa nem fazia ideia que existia. Mais adiante, surgiu uma pequena ponte feita de madeira. – Essa ponte é a maior pegadinha. Muita gente cruza, achando que é o caminho certo e acabam se perdendo. O correto é continuar nessa trilha – apontou para a estrada a sua frente. Elisa tentava fazer registros mentais de tudo que a amiga falava. Era h******l estar na posição de quem não sabia de nada. Odiava. Mas ao mesmo tempo, era empolgante conhecer coisas novas. Depois de algum tempo percorrendo aquele trajeto, ela já estava confiante e relaxada. Se sentia em casa em meio à natureza. Era gostoso respirar aquele ar fresco e meio salgada pela maresia. – Ainda falta muito? – Elisa quis saber. – Estou apertada para fazer xixi. – Um pouco, mas você pode fazer por aí. A garota olhou ao redor, incerta do que fazer. – E se passar alguém? – É só se esconder atrás daquela árvore. – Ok. Elisa deixou sua mochila no chão e foi, com cuidado, até o lugar que Gabriela havia apontado. Repetia mentalmente que precisava ser rápida e não tirava os olhos do mato ao seu redor, com medo de algum bicho aparecer. Assim que acabou, puxou a roupa rapidamente e voltou para a trilha. – Pronto, podemos ir – disse, mas para ninguém. Não conseguia ver Gabriela em lugar nenhum. – Gabriela! – Chamou. Talvez ela também tenha sentido vontade de se aliviar. Elisa não teve resposta. – Gabriela, cadê você? – A vegetação, antes reconfortante, agora parecia sufocá-la. – Ei, não tem graça. Apareça logo! Ela se encontrou diante de um impasse, ficava parada ali, ou seguia o caminho da trilha? Elisa dava alguns passos, mas depois parava. Não queria seguir sem a amiga, porém, não poderia ficar parada para sempre. Talvez devesse voltar. Mas se estivesse mais perto da Prainha, o melhor seria continuar e pedir ajuda para alguém lá. – Gabriela? – Gritava mais uma vez, insistindo. Agora, seguindo o caminho à sua frente. Não tinha dado nem 10 passos, quando a amiga surgiu à frente de Elisa, aparecendo em um ponto que a trilha fazia uma curva. – Onde você estava? – Perguntou, nervosa. – Só tinha ido um pouco mais para frente – riu ao ver a expressão de desespero dela. – Você sumiu, achei que tinha morrido por aí. E não me ouviu gritar seu nome? – Calma, Elisa. Só fui andar, enquanto você fazia xixi. Está tudo certo, vamos continuar – chamou, terminando a discussão. A jovem não disse mais nada, porém, ainda estava angustiada com o abandono de Gabriela. A adrenalina correndo em seu organismo ainda levaria um tempo para deixá-la, até lá seu coração continuaria batendo rápido e aquela sensação de algo errado persistiria. As duas seguiram a caminhada em silêncio. Só voltaram a se comunicar quando chegaram na parte mais alta do percurso, lugar onde dava para ver o mar lá embaixo. Uma imensidão de azul. A cena era lindíssima, de tirar o fôlego. – Não vale a pena? – Gabriela perguntou, assistindo a expressão embasbacada de Elisa ao ver a cena à sua frente. – Que coisa linda. – Eu te disse. Mas vamos, temos que continuar andando. – Espera, deixa eu tirar uma foto aqui – Elisa tirou o celular da mochila e fez diversas fotos para enviar para a família. Eles estavam ansiosos em receber aquelas imagens. Assim que terminou, elas retomaram a caminhada. Três quilômetros depois, passando por algumas cachoeiras no caminho, elas chegaram às rochas que davam acesso à praia. O vento surgiu de imediato, contra o cabelo crespo de Elisa. O sol surgiu, saído de trás das árvores, e finalmente aqueceu sua pele marrom. Gabriela seguiu andando na frente e Elisa a acompanhava logo atrás, pisando onde ela pisava. Já era possível ver a areia da praia, que provavelmente devia ficar vazia em outras épocas do ano, mas em pleno fim de dezembro, estava lotada de turistas, assim como elas. Porém, não havia nenhum quiosque, os banhistas precisavam levar tudo que quisessem consumir. Elas andaram por toda a extensão da praia, que era cercada por montanhas verdes e também tinha uma imensa plantação de coqueiros atrás. – Vamos deixar as nossas coisas aqui e entrar no mar – chamou Gabriela. – Não tem risco? – Não, nenhum. A gente vai olhar de lá também. Elisa concordou. Tirou o short e deixou junto à sua mochila e chinelos. Gabriela fez o mesmo e depois foram rumo à água. Era quente. Elisa nunca tinha visto isso, lembrava que a água do mar era gelada, mas ali parecia vinda de um aquecedor. Elas mergulharam, nadaram, brincaram de jogar água uma na outra e conversaram. Gabriela apontou para o grupo de surfistas que bem mais ao fundo, pegavam ondas. – Aqui é um ótimo lugar para eles. – Seu irmão vem aqui também? – Erico? – Ela riu. – Ele é preguiçoso demais para isso. Até para carregar a prancha ele reclama. No máximo, pega onda na praia da Concha, onde fomos hoje de manhã. – Você surfa? – Eu não. Mas gosto do Stand Up. – O que é isso? – Uma prancha grande, em que a gente fica em pé, remando. – Eu gostaria de aprender a surfar. – Não é tão fácil quanto parece. Vem, vamos pegar sol. Elas estenderam as cangas na areia, para deitar. Gabriela tirou um bronzeador da mochila e aplicou no corpo. Elisa se inclinou de costas, apoiada em seus cotovelos, admirando os surfistas deslizando sobre às águas. Não devia mesmo ser fácil, mas era lindo. A liberdade que deviam sentir, era invejável. Por um instante, Elisa desejou morar na praia e ter a possibilidade de ter aquela vida sempre. Acordar, caminhar na praia, pegar algumas ondas, respirar aquele ar puro todo o tempo, beber água de coco no café da manhã e nenhuma outra preocupação. Seria assim a vida de quem vivia ali? De repente, quis muito saber. Gabriela estava empenhada em lhe mostrar a cidade do ponto de vista dela, mas agora estava curiosa para conhecer o lado de quem dormia e acordava naquele lugar todos os dias. ********************** Obrigada por acompanhar mais essa história. Amanhã tem mais um capítulo, então não deixa de colocar o livro na sua biblioteca e me seguir por aqui para não perder as notificações, tá? E me siga também em todas as redes sociais: Instagram, Twitter e Tik Tok: @thaisolivier_
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