Capítulo 8 — Pressa para voltar Narrado por Theo

1021 Words
Um mês. Trinta dias longe da Lara. Parece pouco quando se fala em calendário, mas na pele… é uma eternidade. Não vou mentir: foi um mês difícil. As primeiras semanas até conseguimos manter as ligações diárias, mas aos poucos, o ritmo insano de reuniões, testes e decisões começou a roubar meu tempo. Muitas noites, quando finalmente conseguia sair da empresa, a exaustão me dominava antes mesmo de pegar o telefone. E cada vez que a voz dela soava mais distante, eu sentia que estava magoando a mulher que mais amo. Eu prometi para mim mesmo que, quando voltasse, faria ela esquecer cada minuto de ausência. Que mostraria que não existe ninguém com quem eu queira estar mais do que com a Lara. A sexta-feira da minha volta era o dia que eu mais esperava desde que cheguei em Los Angeles. Eu já me imaginava atravessando a porta de casa, puxando ela para o meu abraço, sentindo seu perfume e matando a saudade como um homem faminto mata a sede. Mas o destino resolveu brincar comigo. A poucas horas de deixar o hotel, recebi uma ligação da minha equipe: — Theo, o jogo foi hackeado. A invasão é séria. Era o nosso maior lançamento, o que selava a parceria com os americanos. Se caísse, toda a negociação iria por água abaixo. E ninguém, absolutamente ninguém na empresa, conhecia o código como eu. Não havia escolha. Voltei correndo para a sede da parceira, sentei diante da tela e mergulhei no problema. O tempo deixou de existir. As linhas de código piscavam como uma guerra que só eu podia vencer. Quando finalmente derrubei o invasor e estabilizei o servidor, ergui os olhos para o relógio. Madrugada. Meu voo já tinha partido. Foi aí que percebi meu celular na mesa, com a tela acesa: cinco chamadas não atendidas da Lara. Meu peito afundou. Eu sabia o que ela poderia estar sentindo. Sozinha. Esperando. Pensando o pior. E a culpa… Deus, a culpa me acertou como um soco. Disquei para ela imediatamente. Chamou, chamou… e nada. Enviei uma mensagem: "Amor, aconteceu um imprevisto na empresa. Vou explicar tudo quando chegar. Te amo." Mas como explicar em uma frase que o motivo da minha ausência não era falta de vontade, e sim uma necessidade que eu não podia ignorar? Não esperei. Desci do prédio como se o chão fosse pegar fogo e fui direto para o aeroporto. Não tinha mais voos comerciais para aquela noite. Então, sem pensar duas vezes, aluguei um avião particular. Era caro. Absurdo. Mas nenhum preço era alto demais para encurtar a distância entre mim e ela. Enquanto o piloto fazia os preparativos, olhei para a cidade brilhando lá fora e só consegui pensar: “Lara, espera por mim. Eu vou te mostrar que você sempre foi, e sempre vai ser, a única.” Cheguei em casa às cinco da manhã. O silêncio era tão denso que eu conseguia ouvir o próprio coração batendo. Assim que abri a porta, senti um aperto no peito. Pétalas espalhadas pelo chão. A sala estava meio às escuras e, quando meus olhos se acostumaram, vi a mesa posta… pratos intocados, velas apagadas, o jantar que ela havia preparado para a minha volta. E no sofá… Lara estava enrolada numa manta, abraçada ao meu urso favorito — aquele que ela sempre pegava quando estava triste comigo. Ela dizia que sentir o meu cheiro no tecido a acalmava. Meu coração desmoronou. Eu sabia que ela havia chorado. Larguei minha bagagem no chão, caminhei até ela e, com cuidado, a tomei nos braços. Carreguei-a até o quarto e a deitei na nossa cama. Depois me deitei ao seu lado e a abracei. Ela dormia tranquila, mas eu sabia que, por dentro, o coração dela não estava. Quando acordei, eram nove da manhã. Olhei para o lado — vazio. Saltei da cama e comecei a procurá-la pela casa. Chamei por ela, mas nada. Cheguei à sala e percebi que estava limpa, organizada. Foi quando ouvi uma voz atrás de mim. — Bom dia, Sr. Theo. — Era a Berta, a senhora que cuida da limpeza. Fiquei confuso. Ela nunca vinha aos sábados. Lara sempre insistiu que os fins de semana fossem só nossos. — Bom dia, Berta. A Lara… onde ela está? — Foi trabalhar. Pediu para eu vir arrumar e cozinhar porque ela vai voltar tarde. Trabalhar? No sábado? Isso não fazia sentido. Peguei o celular e liguei para ela. Nada. Então liguei para Leonardo, meu amigo e dono da empresa onde ela trabalha. Ele atendeu na hora. — Leo, a Lara está aí? — Está, sim. Está numa reunião pelo Skype agora. Quer que eu avise que você ligou? — Não. Na verdade, quero que você a dispense assim que terminar. E… mantenha ela ocupada até eu chegar aí. Ele ficou em silêncio por um momento, como se entendesse que algo tinha acontecido. — Tudo bem, Theo. Espero que vocês resolvam logo. Dirigi até a empresa sem perder tempo. Estacionei meu BMW na entrada e avisei ao Leo que podia liberá-la. Minutos depois, vi minha ruiva atravessando a porta. O olhar dela era firme, quase gelado. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, atravessei a rua e parei numa floricultura ao lado. Comprei um buquê das flores favoritas dela. Quando voltei, fiquei em frente a ela, sem falar nada. Caminhei até ela, entreguei o buquê e a abracei com toda a força que tinha. A única palavra que consegui dizer saiu baixa, quase um sussurro: — Desculpa, meu amor. Ela recebeu as flores, mas não falou nada. Em vez disso, começou a bater no meu peito com a mão livre. E então, as lágrimas começaram a cair dos seus olhos. Puxei-a para mim, segurando-a firme. — Amor, me perdoa… Eu fui um i****a por não te ligar. A empresa sofreu um ataque no jogo novo que vamos lançar em Los Angeles, e eu só pensei em resolver o problema. Mas eu me arrependo profundamente de ter magoado a mulher que mais amo. Enquanto eu falava, senti a respiração dela acelerar, como se estivesse decidindo se cedia ou continuava resistindo.
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