Dereck quis fazer o aniversário de Kristen no apartamento da cobertura em Paris, o apartamento que era meu quando nos conhecemos, estava tudo do mesmo jeito e ele queria voltar a viver ali, deixaria a fazenda para traz e sua mãe viria morar com a gente e teria mais assistência do que antes, assim poderia descobrir melhor sobre o passado de Vincent, eu estava ficando boa naquilo, tinha descoberto coisas surpreendentes enquanto estive na casa onde Dereck nasceu e sua mãe viveu até os dezessete anos.
Kristen é a cara do pai e seus cabelos agora estavam querendo ficar ruivos, era encantadora, risonha e brava, dobrava Dereck direitinho e ele cedia aos seus caprichos mesmo tendo um ano de vida, poucos dias antes de seu aniversário, começou a andar para a alegria de Dereck, os dois juntos eram um encanto e jamais pensei que ele seria um pai tão amoroso e dedicado, as vezes ficava com ciúmes do amor que os dois tinham um pelo outro.
A festinha aconteceu com toda a pompa, com direito a fotógrafos de revistas de celebridades, Dereck gostava de ostentar, coisa que eu já tentava não me envolver, eu me sentia em segundo ou terceiro plano na vida dos dois, mesmo Dereck se demonstrando apaixonado e quente todas as noites, via como as pessoas me olhavam na festa, eu parecia vir de outro planeta, e não conseguia me encaixar mais naquele mundo de glamour e luxo, eu sentia uma necessidade enorme de voltar para Escócia e me trancar naquela fazenda e não sair mais, quando ficava presa as minhas lembranças acabava recordando o dia no fórum em que fiquei cara à cara com Nigel e seus olhos e sua voz me chamando de Vadia, aqueles olhos que me odiavam e me condenavam pelo que eu fiz, o pouco da família que eu tinha agora me odiava por ter enganado o meu primo, meu grande e único amor; suas palavras ecoavam nos meus ouvidos e pensamentos, poderia ter caído em depressão, mas agora eu tinha uma criança que precisava de mim e eu dela para continuar a viver.
"Você não parece se divertir?", Dereck me laça pela cintura e beija meus cabelos.
"Eu perdi o jeito de lidar com pessoas ricas!", disse apoiando a cabeça no peito de Dereck e olhando para aquelas pessoas no meio da minha sala, bebericando do champanhe e provavelmente falando mal um dos outros.
"Vai se acostumar assim que nos instalarmos aqui!".
"Dereck?", girei e o encarei, "Tem certeza que quer voltar a morar aqui?".
"Eu preciso e você também... Kristen precisa de uma educação e uma formação de primeira e é isso que eu quero dar e quero que você fique grávida ainda esse ano!".
Fechei os olhos, "Eu quero esperar mais um pouco e curtir a nossa filha!".
"Vai fazer o que eu mando Victória".
"Agora vai ser sempre assim?... Você manda e eu obedeço?".
Dereck afastou meus cabelos do meu rosto e pôs a traz da minha orelha e me beijou, "Vai ser assim... E eu sou o seu dono e vai me obedecer!".
Minha garganta se fechou, eu quis chorar, ele se afastou de mim para receber os cumprimentos de um empresário que tinha acabado de chegar com a família, sua esposa veio até mim, linda com seu conjunto vermelho e me abraçou delicadamente e me deu dois beijos, seus dois filhos já se juntaram as outras crianças e ficamos nos elogiando e falando sobre crianças, roupinhas, lojas de grife e coisas banais que mães conversam, sentia falta de uma amiga, contar minhas frustrações, medo, e falar mal do marido quando desse vontade, eu não confiava em mais ninguém, acho que nem a mim mesmo eu confiava.
***
Amélia chegou uma semana depois que nos instalamos no apartamento, o quarto que tinha feito para diversão para crianças foi desmontado justamente para recebê-la, era o quarto maior e cabia tudo de que ela precisava e foi um alivio tê-la em casa, era minha distração além de Kristen que agora andando dava mais trabalho, não parava um segundo se quer, andando e engatinhando e enfiando tudo que queria na boca, ajeitei minha sogra na cama, ela sorria ao me ver ali, olhei suas mãos e suas unhas.
"Hum!... Vamos ter que chamar uma manicure e cuidar de suas belas mãos!", beijei sua mão com carinho, eu me afeiçoei tanto a ela que chegava a doer em pensar em perdê-la, Dereck me observava na porta, o jeito que cuidava dela, sorria grato.
"Querida!", soltou ela enrolado.
Abri a boca surpresa, olhei para Dereck, comecei a rir, "você escutou isso Dereck?", beijei o rosto dela com carinho, "Você é minha querida!... Hummmm!", cheirei seu rosto e a olhei nos olhos, senti que estava cansada, "Agora durma um pouco e daqui a pouco venho para te dar o jantar e te banhar e cortar suas unhas!".
Dereck me laçou pela cintura enquanto a cobria e ajeitava seu travesseiro, tinha colocado ela de lado um pouco para sua pele das costas respirar, Dereck beijou meu rosto e suspirou, "A tempos não ouvia sua voz, você está dando nova vida a ela!".
"Ela merece ter todo o amor possível e se eu posso dar, ela terá de mim!", acariciei seus cabelos grisalhos, Amélia nós olhava com um sorriso no rosto, estava grata e feliz por estar ali com a gente.
"Vamos deixa-la descansar e vamos conversar um pouco!", Dereck me puxou para fora do quarto, deixando meia luz, fechou a porta e seguimos para a sala e me colocou sentada no sofá, se acomodou na poltrona e me olhou, "Vendi a casa de verão!".