Acordei quase às 17h da tarde, eu simplesmente depois de um banho relaxante eu dormi o sono dos justos, me arrumei, peguei o remédio de enjoo e o de pressão e tomei, depois segui para a sala de jantar, estava com fome, toquei a sineta e a nova empregada apareceu de imediato.
"Tem algo para comer?", sorri, ela me olhou desconfiada.
"Posso providenciar algo em quinze ou vinte minutos".
Suspirei e olhei em volta, "Tudo bem!", me levantei e segui para o elevador e desci, a empregada ainda ficou me olhando sair e me seguiu até o hall do elevador; Na garagem Jeffrey abriu rapidamente a porta do carro e entrei, e Killer entrou do outro lado, severamente bravo, desabotoou o paletó para ficar mais confortável, Jeffrey entrou e me olhou esperando que desse o trajeto.
"Me leva a um McDonald", quase falei um palavrão, os dois se olharam e Jeffrey saiu da garagem.
"Tenho novidades sobre o dossiê que estou preparando sobre o Sr. Dereck".
Olhei para Killer, eu tinha me esquecido completamente disso, não tinha dado importância para isso na época por que não tinha a menor intenção de me relacionar com ele, e agora estava grávida, fechei os olhos com esse pensamento e respirei fundo.
"Tem algo de interessante?".
"Vai ficar surpresa", ele arregalou os olhos e me olhou e começou a pincelar, " Ele nasceu em um vilarejo muito pequeno em Ardshealach/Reino Unido, sua mãe tinha apenas 17 anos e foi expulsa pelos pais com o bebê no colo... Ela se instalou em Edimburgo e trabalhou de empregada domestica numa casa de uma família muito rica, Dereck foi praticamente criado por essa família, mas também teve que trabalhar e muito durante sua estadia, conheceu o Sr. Vincent em uma passagem pela Escócia e numa conversa Dereck contou ao Sr. Vincent que seu sonho era ser médico, mas que nunca realizaria o sonho por ser muito pobre, Vincent então custeou os estudos do garoto, mas perderam o contato assim que o Sr. Vincent resolveu se casar com a primeira esposa".
"Ok!... O que tem de especial nisso?", o olhei pegando o meu sanduíche das mãos de Jeffrey que tinha ido buscar para mim, mordi e me deliciei com o gosto que há anos não sentia, aquilo foi como um paraíso e voltar a infância.
"Acontece que Por mais coincidência possa ser", ele fez uma pausa e respirou fundo, "O Sr. Dereck entrou na justiça em sigilo para reconhecimento de paternidade!".
Parei o sanduíche na metade do caminho e o olhei assustada, ele concordou com a cabeça, eu nem precisei fazer a pergunta, "Como não ficamos sabendo disso?", Não tive mais coragem de comer, quem estava mentindo para quem?
"Ele entrou em sigilo assim que o marido da sua enteada faleceu aproveitando o buraco para recolher os restos mortais e fazer o exame de DNA".
"Mas Vincent sempre disse que é estéreo?".
"E é!", ele me encarou.
"Então Dereck é louco?", me ajeitei no banco do carro me virando para Killer e colocando a perna sobre o banco para ficar mais confortável, eu o olhava surpresa.
"Eu ainda estou investigando, mas pelo que sei... o Sr. Vincent teve caxumba em uma de suas viagens e não ficou de repouso achando que era do seu organismo cansado, até que foi parar no hospital na Irlanda, nessa época ele fazia um mochilão como se diz hoje em dia, para conhecer o mundo".
"Meu Deus", tapei a boca, "E não descobriram na hora o que ele tinha".
"Provavelmente", ele suspirou e passou a mão nos lábio, "Parece que antes dele sair da pequena cidade, ele se relacionou com a mãe de Dereck e a engravidou, mas não sei como ele ficou sabendo que era Vincent, seu padrinho e seu pai!".
"Que merda!... Então se for verdade... A fortuna de Vincent tem um verdadeiro dono!", sorri contente com aquilo, era maravilhoso saber que Vincent tinha tido um filho, ficou cara a cara com ele e ainda o ajudou a estudar e se formar e ser um excelente médico e pediatra, eu não sabia se ria ou chorava de felicidade, mas eu parei, ele não me contou nada, nunca falou nada? Por quê? Eu poderia ter ajudado com tudo isso, eu seria a pessoa que mais daria apoio a ele, decidi me calar e esperar, "Quando sai o resultado do exame?".
"Hoje eu creio!", disse ele apontando para o sanduíche, "Se não comer vai esfriar!".
Detonei com o sanduíche e as batatinhas e voltamos para casa, Killer me contava os próximos passos da investigação, eu estava ansiosa para ir para casa e esperar que Dereck me contasse sobre sua verdadeira história, o apoiaria se desejasse e o apresentaria o mundo inteiro quem era aquele homem extraordinário com quem eu vivia, ele merecia ter aquela fortuna toda e eu viveria ao seu lado e cuidaria do nosso filho se assim acontecesse, foda-se a herança, Dereck estava em primeiro lugar e depois nosso filho, por que tínhamos tempo até ele nascer.
Na manhã seguinte voamos para Paris, os enjoos diminuíram consideravelmente com o remédio e minha pressão estava estabilizada, eu só contaria para Dereck sobre o bebê se ele me contar sobre o teste de paternidade, era uma troca, queria ver até onde ele era capaz de esconder tudo aquilo de mim, e se realmente me amasse, ele iria contar e tomaríamos as providencias.
Entrei em casa morta de cansada, arranquei os sapatos e segui direto para o quarto, tomei meu banho gostoso e fiquei cheirosa para ele, Dereck demorou e muito para chegar, acabei cochilando na cama e fui acordada com seus beijos demorados no meu rosto, ele me agarrou, parecia mais feliz do que nunca, mas seu sorriso era de vitória completa, e se jogou ao meu lado, ainda vestido com sua roupa de medico e cheirava a hospital, funguei o seu pescoço.
"Hummmmmmmm!... Adoro esse cheirinho de Hospital e de bebê!", sorri e passei a mão em seus cabelos cortados, ele tinha aparado há alguns dias.
"Por que demorou tanto para voltar para mim?", ele sorria.
"Me perdoa!... Exames de rotina e foi bom ter ficado um pouco longe... Estava muito estressa... Me entenda Dereck!?". Fiz biquinho.
"Tudo bem!", ele pegou na minha mão e deu um beijo demorado, "Mas você está bem não é, nada de errado com sua saúde?".
"Só minha pressão que preciso monitorar!".
Ele me olhou desconfiado, "Você não deveria ter pressão alta na sua idade... Ainda mais ativa como é!".
Ri maliciosa, "Foi o que a médica disse, mas vamos controlar, daqui a um mês volto para refazer os exames!".
Dereck se ajeitou na cama e me encarou, não sei por que, mas o sorriso dele estava me deixando alarmada, tinha algo de diferente, algo que não me agradava, seus olhos azuis denunciaram e me lembrei quem me olhava daquele jeito, "Vincent", soltei sem querer, ele desfez o sorriso e franziu o cenho.
"O quê?", perguntou ele de uma forma decepcionada.
"Me desculpa", fiz um gesto com a mão livre, "Você me olhou de uma forma agora que me lembrou de Vincent!".
Dereck não disse nada, ficou me encarando, eu queria que ele me contasse, e queria saber o que se passava em sua cabeça, "Você o ama ainda?... É por isso que não quer se casar comigo?".
"Dereck?", sussurrei, meu estomago revirou, "Merda!", soltei e tive que me levantar, caminhei pelo quarto para passar o mal estar, mas corri para o banheiro, mesmo tentando vomitar, não saia nada por causa do remédio, Dereck cruzou os braços na porta do banheiro incapaz de me ajudar ou entender o que eu estava passando, "Merda!", soltei de novo agachada e segurando no vaso, me sentei no chão quando melhorei, respirando rápido e com uma dor de estomago terrível, o olhei ali em pé, fiquei decepcionada com sua atitude, voltei a olhar os azulejos da parede e passei a mão pelos cabelos, estava claro, ele queria uma resposta concreta.
"Não estou preparada para me casar agora... Estou passando por um estresse enorme e o Dr. Smith me pediu para eu relaxar!", soltei outra bufada.
"Eu te estresso então?", ele continuou parado no mesmo lugar.
"Não Dereck!... Eu me estresso sozinha com medo de me casar e ter que enterrar quem eu amo de novo, e de novo, e de novo"...
"c*****o Vick!", soltou ele irritado, "Você desde o começo nunca me amou e não me ama ao ponto de passar por cima de toda essa Merda que enfiou na cabeça!", ele saiu da porta e me largou sozinha.
"Dereck?... DERECK VOLTA AQUI?", gritei e me levantei rápido e fui a traz dele.
"Me deixa em paz!", disse ele quando segurei em seu braço, mas soltei logo em seguida, ele me olhou bufando, enfiou a mão no bolso da calça, pegou a minha mão e depositou a aliança, "Se escolher se casar comigo sabe onde me encontrar!".
"Dereck?", o encarei, ele me olhou, "Tem algo que quer me contar?".
Dereck franziu o Cenho, tombou a cabeça para o lado, "Eu amo você e quero me casar com você... é isso que tenho para falar!".
"Ok!", engoli em seco, ele soltou a minha mão e saiu.
Fiquei ali parada, ele já deveria saber o resultado do exame, talvez eu o assustei quando reconheci aquele olhar, abri minha mão, um anel antigo de noivado surgiu diante dos meus olhos, eu não podia aceitar aquilo com a mentira que girava entre nós, eu não podia por no dedo um anel e me casar com um homem que não me conta a verdade, eu não o conhecia, não se abria para mim, voltei para o quarto, eu tinha chorado tanto essas duas semanas que não tinha mais lágrimas para rolar, e mesmo assim eu não me sentia triste que ele foi embora, eu iria confronta-lo até me contar o que eu realmente queria saber, resolvi esperar pacientemente, não iria ligar, não iria procurar, faria como ele, esperaria.