Duas semanas se passaram, nada de Dereck, nem um telefonema, segui minha vida, era o mínimo que podia fazer, não iria tolerar mentiras entre nós, Killer conseguiu uma copia do laboratório e lá comprovava a paternidade, Vincent tinha um filho, aquilo me preocupou, não por perder o dinheiro e a fortuna, meus investimentos fora do meu nome estavam rendendo e muito e eu não precisava me preocupar com o futuro e nem com o futuro do meu filho, mas me preocupava de como estava a cabeça de Dereck e de como ele estava se sentindo, pois Vincent não voltou e não procurou sua mãe depois que foi embora de Ardshealach.
Retornei a Nova York na terceira semana, trabalhei e cuidei dos negócios como sempre e fui ao médico novamente para controlar minha pressão, estava correndo tudo bem e a médica diminuiu a dosagem do remédio da pressão, mesmo assim não contei a ninguém, mas eu iria ter que procurar Dereck e contar de uma vez por todas, mas não colocaria o anel no dedo se não me contasse a verdade sobre seu passado, Killer me trouxe novas informações e de repente eu sabia mais de Dereck pelo meu segurança e investigador do que ele mesmo me contava sobre sua vida, minha decepção foi aumentando e o amor diminuindo, voltei no fim de semana para casa, tudo em silencio, Dereck não deu as caras, o rompimento já era estampado nos tabloides e revistas de fofoca, Dereck ignorava os jornalistas e não dizia nada, mas ainda usava o carro que lhe dei e as joias, pulseira de ouro, relógio de marca e a corrente grossa de ouro, não sei se para chamar a minha atenção ou se ele gostava de ostentar tudo aquilo.
Acordei às 8h da manhã, tomei um banho rápido e segui para a sala de jantar para fazer meu desjejum, e dei de cara com Dereck sentado na cadeira onde eu costumava a me sentar, totalmente relaxado e mordiscando o canto do dedo em forma de desdém, seu sorriso era de quem iria despejar toda a sua ira e descontentamento.
"Bom dia Dereck?", não me intimidei e me sentei ao seu lado, puxei o guardanapo e coloquei no colo, ele me olhava, não disse nada e nem me deu bom dia, me servi de café e leite e no outro copo o suco, olhei para a sua xícara, estava limpa e vazia, "Não vai tomar o café comigo?".
"Não!... Eu já tomei!".
O olhei e apoiei meus antebraços na beirada da mesa, colocando com cuidado o meu celular sobre a mesa, o olhei e sustentei meu olhar, eu queria que se abrisse, mas ele sorria com uma forma que me amedrontava, mas não podia mostrar que estava nervosa e com medo.
"Diga alguma coisa Dereck?... Pare de me olhar assim!".
"Você se julga muito esperta não é Sra. D'Villa?", ele riu e se ajeitou na cadeira, pigarreou.
"Não entendi sua ironia?", relaxei na cadeira levando a xícara fumegando de café a minha boca, dei um gole generoso e descansei a xícara.
"Você mandou que me investigassem e é por isso que não quer se casar comigo, por que acha que sou um monstro!".
Franzi o cenho e chacoalhei a cabeça não entendendo, "Do que está falando Dereck?".
"Eu falei para você desde o primeiro dia que fiquei preso e mesmo assim você mandou fazer um dossiê sobre mim!", ele bateu com o dedo na mesa, "Você não confia em mim... E por isso não me ama!... Mas você vai se casar comigo!".
Me levantei, aquela conversa estava passando dos limites e ele estava dando voltas, "Se tem algo para me contar, que faça agora antes que esse Dossiê pare em minhas mãos e eu descubra mais coisas desagradáveis sobre você".
Dereck Riu e se levantou e me encarou, "Então é verdade?".
Engoli em seco e dei as costas para ele e segui para o escritório, Dereck foi a traz de mim, entrando comigo e fechou à porta, eu me sentei na cadeira confortável de couro, eu estava em pânico e não sei o que Dereck queria de mim e até que ponto iria esconder sobre sua verdadeira filiação, afundei no couro macio apoiei minhas mãos na mesa e apertei o botão sem ele perceber, para a câmera e o som do escritório começarem a gravar.
Dereck apontou para a mesa, olhei e sobre ela tinha um envelope pardo, desviei o olhar do envelope para ele.
"O que é isso?".
"Você vai passar toda a fortuna de Vincent D'Villa para mim, é só assinar e depois vamos para um cartório e vamos nos casar e você vai ser minha de uma vez por todas!".
Abri a boca e fechei, ele não precisava de nada daquilo, "E por que acha que vou assinar isso?".
"Por que é o único modo de eu ter o que me pertence!".
"Você é louco Dereck!?", disse franzindo o rosto, "Você não precisa disso?".
"Preciso!... E é meu legalmente!".
"Então lute na justiça se acha que lhe pertence!?".
Dereck riu e sacou uma arma, ele estava completamente desequilibrado, tive um sobressalto, apoiei a mão no envelope e o puxei, tirei de dentro os papeis, minha garganta estava dando um nó, ele não confiava em mim, acha que não o ajudaria ou daria a fortuna para ele e acha que para me ter de uma vez, eu teria que abrir mão de tudo para poder usufruir com ele, isso me deixaria em suas mãos, ele poderia fazer o que quisesse e eu teria que me calar e aguentar, resolvi ganhar tempo, uma procuração dando livre poderes para tomar posse do que é de Vincent, todas as propriedade e até a casa de verão que ganhei de presente de casamento seria dele, eu segurei firme minhas lágrimas, meu bebê não merecia ter um pai daquele, canalha e sujo, me perguntava o tempo todo por que não brigar na justiça já que tinha o exame de DNA e se abrir para mim a sua verdadeira história, deixei o documento na mesa depois de ler, a arma continuava apontada para mim, eu o encarei com passividade, me recostei na cadeira e relaxei.
"Não posso concordar com isso se não me der uma finalidade para o que está fazendo e se realmente é isso que você quer!?".
"Você não vai escapar Victória... Você me fez perder a cabeça, te amar e não vai desprezar meu amor, por que eu estou cansado de ser desprezado!", ele falava ofegante, a arma tremia em sua mão.
"Você prefere a mim ou a fortuna?".
"A fortuna é meu de direito e você também é!".
"Por quê?".
Dereck piscou várias vezes, "Por que eu sou o cara da sua vida... Vincent te roubou de mim quando tive a chance de me aproximar, eu a conheci de vista e me apaixonei por você, mas ele se casou e te tirou de mim... Ele sempre fez isso".
Tombei a cabeça para o lado, "Não entendo?".
Dereck riu, "Vincent abandonou minha mãe, ele a deixou grávida e sumiu, eu nasci e fomos expulso de casa e minha mãe sofreu humilhações e eu também... Tendo que limpar banheiro por um prato de comida, dormir debaixo de uma mesa por anos enquanto minha mãe trabalhava como uma condenada e ele se divertindo e vivendo aventuras".
Engoli em seco, sua revolta era visível e eu por um lado entendia, mas não entendia seu desequilíbrio emocional e me forçar a fazer algo, ele não estava raciocinando direito, resolvi desligar a câmera e o áudio, era demais aquilo e ele continuou.
"Eu tive que ralar muito para conseguir estudar e me formar como médico... Mais uma vez ele me abandonou quando disse que custeariam meus estudos, pagou um ano apenas e depois... sumiu"...
"Nessa época você já sabia que ele era se pai?".
Dereck me encarou e chacoalhou a cabeça, sua decepção era enorme, "Quando encontrei minha mãe por que estava desesperado, devendo horrores na faculdade e contei a ela por que cheguei aquele estado de desespero e ouviu o nome dele... Ela chorou e foi aí que me contou sobre a paternidade... O procurei depois que me formei... Conquistei sua amizade e depois... Contei a ele quem eu era... Mas ele riu e deu as costas para mim, dizendo que eu era louco, na época não existia teste de paternidade e ele desdenhava de mim".
"Isso é uma vingança Dereck?".
"Minha doce vingança! mas não vou perder tempo em ficar lutando na justiça algo que é meu de direito e você vai assinar esse papel e vai ser minha e vai esquecê-lo de uma vez por todas!".
Abri a boca, tinha entendido tudo, ele achava que eu era completamente apaixonada por Vincent, mas eu estava em segundo lugar em sua vida, em nenhum momento me colocou na frente do dinheiro e de tudo que vem com ele, eu era apenas o troféu que ele iria exibir depois que eu lhe desse tudo, olhei os papeis sobre a mesa, respirei fundo, me endireitei e peguei a caneta.
"Se me deixar assinar isso... você estará abrindo mão de um de seus objetivos". O olhei séria, "Eu".
"Não!... por que você não vai conseguir viver sem toda essa grana... Você adora ser rica e curte isso e eu vou continuar a te proporcionar o luxo!".
"Se engana Dereck!... Eu sei viver muito bem sem dinheiro, tenho minha profissão e posso voltar para ela assim que eu assinar esse documento!".
"Você não vai fugir de mim Victória e vai aprender a me amar". disse ele entre os dentes a arma balançava mais com seu nervosismo, eu não sabia o que fazer.
"Você fez a sua escolha... E me colocou em segundo plano quando me mostrou tudo isso, não está raciocinando direito e está se perdendo e me perdendo".
Dereck baixou a arma e ficou visivelmente cansado riu entre a emoção, "Eu tentei te conquistar com o que eu tinha de melhor... Você me fez te amar mais ainda, mas eu não posso abrir mão desta fortuna... Eu prometi a minha mãe que iria conseguir cada centavo e faria Vincent pagar pelo que nós passamos".
"Claro... Você tem todo o direito e pode esfregar na cara de todos o teste de DNA que fez escondido, mas a mim você não vai ter se eu assinar esse documento!", Dereck ficou me olhando, "EU amei você... Eu estava apenas esperando você me contar sobre o teste e aí sim te ajudaria a ter tudo que é seu por direito... Eu fiquei tão feliz quando soube... Que vim para cá mesmo tendo tantas coisas urgentes para resolver, mas você se calou e fugiu quando perguntei se tinha algo para me contar, mas"...
Balancei a cabeça, "Eu não posso me casar com você já que sou a segunda opção e um troféu por ter conseguido o que queria, eu não posso me sujeitar á esse tipo de situação... Eu não vou ficar a mercê de seus caprichos e ser sustentada, nunca fui assim, eu vivi com Vincent sem trabalhar justamente para cuidar dele... E não!... Eu não o amava como amei Ash, Renzo e você!".
Dereck piscou várias vezes e deu um passo a frente largando a arma sobre a mesa, "SE me ama como diz, vai se casar comigo ainda hoje e vai assinar esse documento, eu não posso mais esperar Victória... Eu vou enlouquecer".
Peguei a caneta e assinei folha por folha, eu também não estava raciocinando direito o que estava fazendo, mas me casar eu não ia, ele era louco e desequilibrado e representava um perigo enorme a mim e ao meu bebê, eu não sei até que ponto ele era violento, pois apontar a arma e me obrigar a fazer algo que eu não podia concordar era surreal.
Apoiei a caneta na mesa e me recostei na cadeira e o olhei, Dereck sorriu aliviado e fechou os olhos, foi à expressão mais sincera que vi em seu rosto, mas aquilo me doeu, ele abriu os olhos e sorriu, "Agora vá se arrumar!... Vamos para o cartório, o juiz está a nossa espera e quero que use o anel que minha mãe me deu para dar a mulher da minha vida!... Eu volto em quarenta minutos para te buscar!".
Meu coração disparou, "Me deixe sozinha por alguns minutos Dereck!", pedi sorrindo, mas triste.