CAPÍTULO 2

2254 Words
John é informado que Rosa já está no quarto, e que já poderia entrar para visitá- la, ele então avisa Dona Helena que aguardava ansiosa na recepção que já poderia ver a filha. Dona Helena, suas irmãs e Neto entram no quarto, e a mãe se emociona ao ver a filha com alguns arranhões e hematomas pelo corpo. Seu pé esquerdo estava imobilizado e a mãe da moça, então começou a chorar de desespero. Uma enfermeira a acalma dizendo que está tudo bem com sua filha e passa todo o boletim médico sobre o quadro de Rosa. — Não se preocupe senhora, sua filha é muito forte, teve apenas algumas escoriações e uma luxação no pé esquerdo, todos os exames dela estão normais. Só iremos mantê-la aqui em observação essa noite, só para termos certeza de que tudo correrá bem na sua recuperação. Dona Helena agradece a enfermeira e dá um longo abraço em sua filha, então a afasta de seu corpo e a examina por completo para verificar se realmente ela estava bem. Rosa então diz sorrindo: — Cuidado mãe, meu corpo está todo dolorido,a senhora vai acabar me machucando. Todos sorriram, e dona Helena a soltou. Suas tias deram muitos abraços e agradeceram a Deus que nada de pior ter acontecido. Foi quando Neto meio sem graça se aproximou dizendo: — E aí, encrenqueira? Que bom que você está bem, eles deram um longo abraço, e Rosa agradeceu o carinho de todos. Enquanto isso parado na porta, John observa a união daquela família, e o quanto Rosa era querida por todos, mas fica intrigado com o que tipo de relação Neto e Rosa teriam. Será que seriam namorados? Sentiu uma ponta de ciúmes, e estranhou a sensação, balançou a cabeça como se estivesse tentando afastar o pensamento, e então arranhou a garganta como se quisesse ser notado. Eles olharam em sua direção, então Dona Helena pediu a todos para se retirarem, para que os dois pudessem se falar a sós. Neto não gosta nem um pouco da ideia e olha para a mãe de Rosa contrariado, ela o encara e diz: — Vamos meu filho, você vai sair ou vou ter que te arrastar para fora desse quarto? Muito irritado, Neto deixa o quarto, temendo que John e Rosa ficassem a sós, como se pressentisse que existia entre os dois algum tipo de conexão. John se aproxima da cama de Rosa, meio sem graça e diz: — Me perdoe por todos os transtornos que te causei. Ela o vê desarmado, sem aquele postura arrogante e impetuoso com a qual ele desceu do carro, e responde: — Não se preocupe, eu estou bem, foram apenas alguns arranhões, e graças a Deus nem cheguei a quebrar nada, essas coisas acontecem. É o risco que qualquer pessoa corre estando no trânsito. John sorri aliviado e dizendo: — Você é muito brava, sabe bem se cuidar. Onde estava indo? — Para faculdade. Respondeu Rosa. Trabalho durante o dia e a noite faço curso direito. — Você realmente é surpreendente. Diz john. Olha, sei que você está cansada, que já passou por muito coisa hoje, mas aí fora tem alguém que quer te ver, e está muito preocupado com você, não sossegou um segundo desde que tudo aconteceu. Você pode recebê-lo? — Claro que sim, peça ele para entrar. — Pode entrar, Peter. Disse Jonh. — Como você está se sentindo? Perguntou Peter depois de pegar a mão de Rosa e dar um beijo. — Estou bem, me desculpe a grosseria, sei que não foi culpa de ninguém, essas coisas acontecem, não quis ser desrespeitosa com o senhor. Ele responde : — Fique tranquila minha filha, eu entendo perfeitamente bem o que você passou, e que estava nervosa, graças a Deus você está bem. Orei muito por você, pedi a Deus para que nada pior te acontecesse, fico feliz por Ele ter me atendido, não me perdoaria caso… Ela o interrompe e pede para que ele fique calmo dizendo que o pior já havia passado. — Rosa, pode ficar tranquila, todos os custos do hospital, do conserto de sua moto, e os dias de afastamento do seu trabalho serão custeados por mim, é o mínimo que posso fazer para tentar amenizar os transtornos que te causamos. John fala tentado mudar o rumo da conversa. Ela agradece e pede para tratarem desse assunto depois, pois estava muito cansada e que as dores no corpo estavam voltando, devido o efeito do analgésico que foi ministrado pela enfermeira estarem acabando. John concorda e pede a enfermeira para que viesse dar uma olhada em Rosa, pois ela se queixava de estar começando a sentir dor. Rosa é medicada,e seus familiares vem se despedir dela, pois o horário de visita já havia acabado. Sua mãe insiste que ficará no hospital para acompanhá-la durante a noite. Neto se despede de Rosa, dá um beijo em sua testa e diz que logo pela manhã irá buscá-la para irem juntos para casa. Ela se despede de todos e vai enfim descansar daquele dia tão terrível. Quando todos já tinham ido embora, Dona Helena faz um comentário que deixa Rosa encabulada: — Que homem danado de bonito, e que educação! Parece até um ator de novela. Rosa pede para que a mãe pare de devaneio, e fala que toda essa preocupação provavelmente por estar se sentindo culpado, que com certeza, ele teria uma bela mulher e filhos lindos esperando por ele em casa, como num lindo comercial de margarina. As duas deram boas gargalhadas e encerraram o assunto. Quando chega em casa , Peter pergunta a John se ele precisa de mais alguma coisa, se estava com fome, pois ele pediria para a empregada providenciar algo para ele comer, ele se recusa e diz que só precisa de um bom banho e um copo de whisky. Agradece a Peter,e diz para ele ir descansar e vai direto para o quarto, finalmente para tomar o tão esperado banho . John tira a sua roupa, enrola uma toalha em torno da cintura, e se serve de um copo de whisky, se senta numa poltrona que fica num canto do seu quarto e tenta relaxar. Leva o whisky até sua boca, dá um longo gole, afasta o copo de seus lábios e o descansa sobre sua perna. Seu pensamento vai direto para cena do acidente, quando sai irritado para falar com Rosa, ela o destrata e então retira o capacete de sua cabeça. Que mulher maravilhosa! Novamente pensa ele, lembrando -se que enquanto ela falava, seus olhos ficaram fixos nos seus lábios, então ele morde sua boca, e seu corpo começa a responder a lembrança da imagem de Rosa. Ele então se reprova. — Eu devo ser algum tipo de doente por pensar nela dessa maneira. Dar um último gole e vai tomar seu banho e esfriar a cabeça. John nunca em sua vida sentiu qualquer tipo admiração por alguma mulher, e exceto sua mãe é claro, sua visão em relação a todas elas era a que recebera do seu pai, um homem amargo e ganancioso que orgulhava-se do patrimônio e fama que construiu. Ele era considerado um grande homem de negócios, comprava hoteis a beira da falência, e em pouco tempo os transformavam em máquinas que geravam dinheiro. Via as mulheres como objetos a serem usados, que proporcionam prazer, e serviam de troféus para serem expostos em eventos, reuniões ou algum tipo de premiação. Abominava o amor, dizia que ele tornava o homem burro, e dilapidava o seu patrimônio, fazia esses comentários grosseiros nas famosas recepções que promovia, regada a muito caviar, charuto e whisky, e estava sempre rodeado de homens que compartilhavam de sua mentalidade e comportamento inescrupuloso, e nutriam uma certa admiração por ele. Foi por isso que Peter se apegou a John, ele era duramente reprovado pelo pai, que sempre tentava incutir nele seus valores deturpados, e em todo o tempo em que Peter trabalhou para os Rivera nunca presenciou nenhuma manifestação de carinho do pai de John em relação a ele, na verdade em relação a ninguém, nenhum abraço sequer. Por isso qualquer referência a afeto fazia com que John fugisse, ele não sabia lidar com essa situação. O dia amanhece e John se prepara para tomar seu café, passou praticamente a noite toda se revirando na cama pensando como faria para ver Rosa novamente, como se aproximaria dela sem parecer um homem obcecado, ou um serial killer. Não entendia bem o que estava acontecendo com ele, o porquê daquela vontade de ver a moça e de ficar perto dela. Em outra situação semelhante a esse acidente mandaria um advogado resolver tudo, e enviaria um cheque bem gordo para evitar futuros processos ou qualquer outro aborrecimento . Mas nesse caso era diferente, de alguma maneira não queria que ela fosse embora de sua vida. Ele então telefona para o Peter, e pede para que ele deixe o carro pronto, pois iriam ao hospital para visitar Rosa, e saber como ela estava. Peter sem entender a atitude de John e o súbito interesse, responde que já está tudo pronto para saírem quando o patrão quisesse, ele então responde que irá se vestir logo sairá. Peter estaciona na entrada da casa e espera a saída de John. Ele estava como sempre muito bem-vestido e alinhado, mas especialmente hoje, estava com um sorriso radiante e um semblante diferente. Havia uma expectativa, uma certa ansiedade como se estivesse esperando muito essa hora chegar. — Vamos direto para o hospital. Disse ele. Não, melhor, vamos passar em uma floricultura para comprar algumas flores para a moça. Peter o olhou pelo retrovisor e esboça um tímido sorriso, pois seu patrão era muito fechado e talvez o repreenderia pela atitude abusada. Ele ignora completamente o sorriso esperançoso de Peter, que provavelmente achava que a Rosa tinha fisgado o seu coração. John desce do carro em frente a uma floricultura, se vê perdido em meio a tantas opções, e pede sugestões para a atendente a respeito de que tipo de flores deve comprar. Ela pergunta qual é a ocasião. Jonh responde: — Um pedido de desculpas a uma amiga que está hospitalizada. Ela então sugere que ele leve lírios, pois são lindos e as mulheres sempre adoram. Ele se agrada da sugestão, e compra os lírios, entra no carro todo satisfeito. Quando chega ao hospital, é logo direcionado para o quarto em que Rosa está, ele bate na porta e pergunta a ela se ele poderia entrar. Ela se ajeita toda, envergonhada e diz que sim. Agora Rosa consegue observar a John mais de perto, a situação está mais calma, sem clima tenso, sem correria, sem buzinas, sem dores. É realmente um belo exemplar, mesmo com um terno muito bem alinhado é possível ver todo o contorno do seu corpo. Ele se aproxima e o seu perfume é inebriante, assim como seu sorriso. Meu Deus, mas que sorriso. Pensou Rosa. Ele então entrega as flores a trazendo de volta dos seus devaneios. — Bom dia, como passou a noite? Perguntou Jonh. Ela meio sem graça por causa das observações que fazia sobre ele em silêncio, responde que passou muito bem. — Dormi como um anjo, a noite toda. Os dois sorriam juntos, quando são interrompidos com a chegada de Dona Helena no quarto, com toda sua simplicidade ela dá um forte abraço em John o deixando todo desconcertado. Rosa sorri envergonhada ,e repreende a mãe pedindo para soltar o rapaz pois ele não parece estar acostumado com essas coisas. Ele se defende dizendo que Dona Helena pode ficar à vontade e que começar o dia com um abraço é sempre bom. Rosa pergunta a mãe onde ela estava ,e ela responde que foi se encontrar com o Neto que havia ligado, para dizer que as aguardava na recepção, para levá-las para casa após a sua liberação do hospital. John meio sem jeito diz que também veio com a intenção de levá-las para casa, pois era o mínimo que podia fazer depois de tudo que aconteceu. Queria garantir que elas não teriam mais nenhum aborrecimento além daquele que ele já causara. Rosa tenta se livrar da proposta, dizendo a John que ele não precisava se preocupar, que poderia ir para seu trabalho tranquilo, e que com certeza seu patrão não iria gostar do seu atraso, que ele já havia sido muito gentil com ela. Ele sorri e diz que seu patrão não se importaria, e que na verdade faria questão que ele fizesse essa gentileza . Dona Helena percebe o esforço do rapaz em acompanhá-las e decide que irão com ele. Rosa mais uma vez tentando sair daquela situação, lembra a mãe que Neto está lá fora aguardando a saída das duas, sua mãe responde que já resolvido e que Neto não deveria se expor tanto, e que Rosa sabia o motivo, que conversaria com ele e com certeza ele iria entender, pois é um bom menino. A enfermeira chega no quarto e a discussão acaba, examina Rosa e constata que está tudo bem, dizendo que em breve o médico irá liberá-la. Ela fica animada, pois não aguentava mais aquele cheiro de hospital e todas aquelas pessoas decidindo sua vida. O médico vem até o quarto, para fazer a liberação, passa a receita de alguns analgésicos e recomenda o uso de muletas para ajudá-la a andar, mas somente quando muito necessário. Repouso e compressas de gelo para ajudar a diminuir o inchaço. Deseja a ela boa sorte, e que siga todas as recomendações
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