O toque insistente do celular ecoou pelo apartamento, quebrando o silêncio carregado que havia se instalado entre nós. Kai passou a mão pelos cabelos, ainda respirando fundo, e pegou o aparelho do balcão. — É Miguel. — Ele disse antes de atender, sua voz voltando ao tom sério que ele usava quando tratava de negócios. Afastei-me alguns passos, tentando organizar meus pensamentos e ignorar a forma como meu corpo ainda vibrava pelo que havia acabado de acontecer. Enquanto eu bebia um gole do iogurte para disfarçar minha inquietação, Kai levou o celular ao ouvido e se virou parcialmente de costas para mim. — Fale, Miguel. — A voz dele estava firme, mas ainda um pouco rouca. Pude ouvir um zumbido abafado vindo do outro lado da linha, a voz do tal Miguel era baixa, mas rápida. A expressã

