O sol já estava alto quando saí para o terraço do prédio. O vento da manhã acariciava meu rosto, e abaixo de mim a cidade pulsava no ritmo acelerado de sempre. Mas aqui em cima, onde o concreto encontrava o céu, o mundo parecia calmo. Um raro momento de silêncio antes do dia recomeçar. Peguei o celular e liguei para Miguel. Eu precisava conversar com ele. Não como Alfa e Beta, mas como irmãos de matilha. Como amigos. Ele atendeu no terceiro toque, a voz ainda um pouco rouca, provavelmente acordado por minha ligação. — Fala, Rei. O que houve? Sorri. Ele só me chamava assim quando queria provocar ou quando pressentia que vinha conversa séria pela frente. — Tá em casa? Preciso falar contigo. Pessoalmente. — Tô sim. Aparece. O café já tá no fogo. Pouco tempo depois, eu estacionava em fr

