A luz do final da tarde invadia o quarto com delicadeza. Aquela luz dourada que deixa tudo mais bonito, como se o mundo respirasse devagar. Eu estava sentada na cama de hóspedes, com as pernas cruzadas e o diário no colo. A caneta dançava entre meus dedos, mas nenhuma palavra vinha. Eu ouvia os passos de Liz no corredor, o resmungo do Alexander em algum ponto da casa. Era estranho me sentir dentro de um lar de novo. Ainda me sentia uma hóspede na vida dos outros. Mas havia algo diferente hoje. Um silêncio interno. Não a ausência dos pensamentos pesados — eles ainda estavam ali —, mas um espaço entre eles, como se uma pequena brecha tivesse se aberto. Amanda me disse que isso aconteceria. Que, às vezes, o alívio viria em interlúdios. E que, nessas pausas, eu precisava respirar fundo e me

