Capítulo 88

1459 Words

Aeroportos sempre tiveram um quê de gelo pra mim. Grandes demais, barulhentos além da conta, meio sem alma. Mas naquela manhã, entre o barulho de rodinhas no chão e a correria das pessoas indo pra todo lado, tinha um calor diferente dentro do peito. Um calor estranho, aquele que só aparece quando o que você tá deixando tem mais peso do que aquilo que ainda vai encontrar. Alexander estava aninhado em mim, o rostinho encostado no meu pescoço, respirando leve. Dormia tranquilo, embalado pelo ritmo do meu coração e pelo aconchego do sling. Meu pequeno. Tão frágil, tão puro, prestes a cruzar o mundo comigo. Do lado, Kai empurrava o carrinho das malas. Concentrado, olhos nos procedimentos, horários, documentos. Mas de vez em quando, desviava o olhar pra mim. Como quem checa: “ainda tá firme?”

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