— E aí... Como foi o vôo para você, foi tranquilo? – Armando pergunta, abrindo a porta do nosso quarto com o cartão.
— Foi sim. Que hora nós vamos sair? – vou entrando justo atrás, com a mala.
O moreno tira o “não perturbe” de dentro da porta e coloca do lado de fora, a trancando por dentro.
— De gandaia? – ele abre um sorriso malicioso. — Amanhã. Hoje vamos relaxar.
— Relaxar, é?
É minha vez de abrir um sorriso m*****o. Ouço seu risinho sacana em resposta.
— Mmm... Sim. Me espera? Acho que vou tomar um banho. – Armando pisca um olho.
— Espero sim. – Dou um leve risinho. — Gostei desse quarto, é limpo, arrumadinho... Sem ser extravagante. – Sorrio. O chão é cinza, as roupas de cama são escuras, e não tem mais do que o necessário na suíte.
— Uhum. – Armando apenas dá um risinho pelo meu comentário e se agacha, abrindo a bagagem.
Ele pega um pijama cinza escuro de algodão.
— Ei... Eu tenho uns doces, você quer? – pergunta o moreno, tirando um pacote de pirulitos de vários tamanhos de dentro da mala.
— Ok. – Dou de ombros e o pego. Vejo ao redor um cestinho de palha branca em cima da escrivaninha e despejo todos nele.
Quando olho pro Armin, vejo que ele pendura um sorriso de lado.
— Fica aí me esperando, bem comportadinha. – Seu timbre fica gostoso e ele pisca um olho, entrando para dentro do banheiro e o fechando.
Mordo meu lábio inferior.
Hehe. Hm... Malvado.
E se eu não quiser?
Bom, eu não sei se ele vai ser rápido. Acho que dá tempo de eu procurar um pouco mais sobre estes gostos exóticos do meu amiguinho.
Tiro o meu portátil da mochila e o abro em cima da mesa, que está diante da cama. Dou início a uma aba de internet, e num documento de word que tem algumas anotações do FP, para não ser pega no flagra.
“Google: Daddy Kink”.
Daddy Kink: é uma subcategoria dentro das práticas de BDSM
Daddy/Baby: role-play envolvendo dominação e submissão onde o caregiver, “Daddy”, deve ser obedecido, e a “baby girl” deve obedecer. Variantes: Mommy/Baby. Não necessariamente envolve atos sexuais, mas sim atividades terapêuticas como desenhar juntos, ver um filme que a baby gostava de assistir na infância, alimentá-la, abraçá-la, contar-lhe histórias, e confortá-la emocionalmente quando ela esteja triste ou com a auto-estima baixa, etc. O Daddy pode cuidar da rotina da baby, ajudá-la a cumprir suas tarefas cotidianas, e estabelecer certas normas que deverão ser cumpridas por sua pequena.
DDLG: A sigla significa Daddy Dom/Little girl.
Ageplay: role-play onde duas pessoas adultas performam ter idades diferentes às reais numa cena de b**m. Normalmente, o Top/Dominante finge ser mais velho, e o/a bottom/submisso/submissa finge ser mais novo(a). Também pode fazer referência ao fetiche que algumas pessoas possuem por outras bem mais velhas ou bem mais novas.
Daddy: Top/Dominante na relação Daddy/Baby ou DDLG. Normalmente é mais brincalhão e carinhoso do que outros Tops (por exemplo, Tamers, Degraders, Owners ou Masters).
Baby: bottom/submissa na relaçao Daddy/Baby ou DDLG. É um garoto ou garota, sempre maior de idade, que adota atitudes infantis voluntariamente, com a finalidade de se sentir protegido(a) por seu dominante num ambiente seguro, conhecido na subcultura como “Little Space”.
Little Space: um mundo privado onde mulheres e homens maiores de idade podem esquecer-se por um momento das suas responsabilidades e papéis como adultos e serem cuidados pelo dominante como se fossem realmente frágeis e dependentes. O little space é diferente para cada submisso/a. Muitos têm brinquedos, alguns usam chupetas e inclusive fraldas. A submissa escolhe a idade que quer performar no little space, que varia de 1 a 17 anos.
É muito importante entender que DDLG só pode ser praticado por pessoas maiores de idade. A parte submissa jamais deverá ser uma adolescente real.
Castigos: DDLG pode envolver sado-masoquismo, ou não. É o Daddy quem se encarrega de aplicar castigos caso a sua baby não esteja sendo disciplinada.
As únicas regras são as que o próprio casal impor, sempre e quando a relação seja saudável, segura e consentida.
Isso parece interessante.
Então ele quer cuidar de mim... Como se eu fosse um bebê ou uma criancinha?
É bem fofo.
Ele é muito carinhoso. Mas também tem um lado sacana, cheio de maldade. Essa perversão é a cara dele.
Acho que vou deixar o Armin excitadinho.
— Deixa eu ver... – Sussurro para mim mesma, prendendo um risinho.
Abro um dos pirulitos que o papai deixou para mim e o coloco na boca.
Faço duas tranças no meu cabelo, uma de cada lado e visto um pijama cujo shortinho é rosa fúcsia, e a parte de cima é de oncinha. Na camiseta está escrito “cute” de rosa.
Ouço o chuveiro fechar e me sento na cadeira rapidamente, abrindo o documento do FP no computador e fingindo que estou estudando.
Quando Armando abre a porta, a névoa de água quente invade um pouco o quarto, junto com o cheiro de limpeza que exala dele.
O moreno vem para perto de mim e toca meu ombro.
— O que você está fazendo, neném? – Armando pergunta, abaixando a cabeça e bisbilhotando a tela.
— Estudando. – Respondo com um sorrisinho.
— Estudando, sério? – ele ri sacana, de um jeito curto.
— Uhum. – murmuro, corando.
— Quais você reprovou? – Ele se senta na cama, arregalando um pouco os olhos.
— Inglês e Desenho Técnico. – Respondo, puxando o pirulito da boca, que estrala nela barulhentamente.
Armando ergue uma sobrancelha com um sorriso de lado.
— Um... Mhuhum. – O moreno apoia as duas mãos na cama. — Por que não me pediu ajuda? Eu sou ótimo em inglês. – Ele revela, convencido.
— Ah, sim? Ótimo tipo... C1/C2 no “marco común europeo”? – dou um risinho sapeca.
— C2. – Ele responde, expondo seus lindos dentes brancos. — Sou ótimo. Quer ver? Sei até imitar uns sotaques.
— Quero! – Rio baixinho e me giro para ele, olhando-o atentamente.
— Ok. – Ele lambe o lábio inferior. — Eu imito, e você tenta dizer de onde é o sotaque. Ok? Se você acertar tudo, eu vou te dar um pirulito maior.
Rio baixinho.
A voz dele parece não conter malícia.
Talvez só pareça.
— Certo! – exclamo, sorrindo.
— Doun’t boother me, kiwi. – fico um tempo pensando. — I’m Australian if you didnt notice it. – ele expande seu sorriso.
— Ah, não vale! Você não me deixou adivinhar. – Faço um pequeno biquinho.
— Hahaha. É mesmo. Desculpa. – ele ri um pouco distraído. — Como estamos em Paris, agora eu sou francês. Bonsoir. Oui, oui. Huhu! – ele faz alguns gestos cômicos e refinados, me fazendo rir de novo, enquanto exagera no biquinho.
— i****a. Você não sabe brincar! – dou alguns risinhos finos, olhando para ele.
— Sei sim, bebê. Nós já vamos continuar. – Armando segue sorrindo.
— Tá. Mas primeiro faz o sotaque dos Estados Unidos? Por favorzinho! – peço de um jeito fofo, sorrindo.
— Depois você reclama... I promise for the Constitution to say all the truth, the whole truth. So, thanks God, and the 13th Amendment, god is on our side. We, from The United States of America, are a FREE country. – Enquanto ele vai falando, me dá uma pequena crise de riso, pois ele realmente incorpora o personagem. — Quem é esse?! – sua voz volta ao normal, e ele fica sério.
— É o Barak Obama! – gargalho um pouco.
— Hmmm... Ponto para você, linda. – Ele diz rouco e grave, cheio de maldade. — Eu estou torcendo para você acertar todas. Mhuhm.
— E ser premiada? – Respondo, com um suspirinho arrastado.
— Haham. – ele morde seu lábio inferior. — Próximo... Mr., I have found the problem with your rooter. Please, Mr. calm down. This attitude is not helping.
Gargalho outra vez. Até a cara dele muda fazendo essas palhaçadas.
— Jamaica?! – exclamo.
— Errou, baby. – Ele me olha com cara de esperto. — É um call center na Índia. – Armando pisca um olho.
Mostro parte da minha língua bem infantilmente e ele dá outro risinho m*****o. Seus olhos me secam, navegando por minhas pernas, por minha roupa. Sei o que ele deve estar pensando, mas sigo me fazendo de sonsa.
Deve ser difícil para ele falar sobre isso.
— Como é que você sabe imitar tantos sotaques e tão bem?
— Porque eu nasci na Escócia. – Seus olhinhos estão brilhando. — Eu e o André fomos adotados aos quatorze anos, por um casal espanhol.
— Ué... E como é que você conversa sem sotaque escocês? Que eu saiba uma pessoa só pode ser bilíngue antes da puberdade. De outro modo, o cérebro já armazena outras línguas como estrangeiras, o conteúdo vai para uma área diferente.
— Nossa mãe biológica também era espanhola. Então eu sou bilíngue.
Abro um pequeno sorriso compassivo.
É duro se desfazer da sua própria cultura porque as coisas estão ruins. Acho que é por isso que ele sempre me ajuda quando preciso de alguma coisa nas aulas.
— Hmm. Entendi. Fala um pouco comigo com o seu sotaque? Eu acho bem sexy.
A cara dele fica toda maliciosa.
— Hm... Ok, baby. Mas tem um preço. Você sabe... É um assunto delicado para mim. Quando eu cheguei na Espanha, eu sofria bullying por ter sotaque. Tive que me livrar dele e acessá-lo agora me faz lembrar de momentos traumáticos. – Ele diz irônico e sarcástico, tentando me enrolar.
— Mhuhm. E como você quer que eu te pague?
Seu sorriso se expande, passando de sexy a cômico. Bem animado.
— Pois, lassy... Você tem a chance de colocar a sua melosa e gostosa boquinha no meu... Fiu. – Armando assobia e olha para o seu p*u, apontando para ele com as duas mãos enquanto apoia os cotovelos na cama
— Palhaço! – exclamo, rindo. — Lassy?
— Lassy é lady. Senhora. – o moreno responde rápido. — Qual é? – e pergunta, enquanto ri comigo. Vejo Armando se endireitando na cama e recobrando a seriedade. — O meu sotaque faz você sentir coisas, downstairs? It makes your p***y wet. – Ele arrasta a voz, todo tarado.
— Não. Mas é bem gostoso de escutar. Eu estou adorando. – Dou um risinho.
Ele morde o lábio inferior e aproxima o rosto de mim, com as pernas abertas, ficando bem perto enquanto seus braços caem apoiados entre elas.
— Do you like it enough to suck my c**k again? – [Você adora o bastante para chupar o meu p*u de novo?] – mordo o lábio inferior, involuntariamente. Ele acaba de notar o efeito em mim. — Hm, lassy?
— Hm... – coro de excitação. — É que eu... – decido brincar com ele, e prendo um risinho. — Já estou chupando algo, I’m sorry. – Coloco o pirulito na boca de novo.
— Safada... Você tá tentando me excitar. Mhuhm. – os olhos azuis dele estão brilhando de t***o enquanto ele não para de olhar minha boca.
Dou alguns risinhos finos e fico lambendo o pirulito na frente dele de um jeito bem exagerado enquanto ele fala, me deliciando e estralando os lábios.
— Eu tenho certeza de que uma garota tão gulosona como você adoraria ter algo maior na boca. – Seu timbre segue arrastado. Mordo meu lábio inferior com a boquinha toda melada. – Hm? Então olha... – ele se toca por cima da bermuda frouxa de forma rude, pegando em si mesmo. Seu volume fica ainda mais evidente, deliciosamente duro e grosso na sua mão. – Eu prometo que o meu pirulito é bem mais gostoso do que o seu. – O moreno afirma, enfatizando o intensificador e sibilando. – Strawberry.
– Haha. – Dou um risinho. Ele acaba de dizer que o p*u dele é de morango? Sigo rindo baixinho.
– Hum, vem logo. - ele me olha sacana. – Você me deixou com muito, muito t***o. Bem quente, e duro. Então olha... Meu pirulito. – Armin tira o p*u de dentro da bermuda e o segura na base. Uma tentação que me faz querer saboreá-lo de imediato.
– Mmmm... – gemo baixinho, olhando seu p*u, enquanto sinto muito prazer recorrendo meu corpo e se transformando num líquido que vai descendo e molhando minha calcinha. — Mas eu tinha que estudar mais... Não... Não ficar chupando pirulito! – exclamo, prendendo um risinho. Mas acabamos rindo bem sacanas os dois juntos. – Né... – gemo a palavra. – Papai. – Sussurro, lentamente.
Armin morde o lábio inferior com força, e nos olhamos de um jeito cúmplice.
Pouco a pouco, aparece no rosto dele um sorriso maligno e satisfeito.
O mais sacana de toda a sua vida.